Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: IMAGO
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Gianni Infantino pede desculpas por tentar vender direitos comerciais da FIFA

Presidente do organismo continua a ser alvo de várias críticas. Presidente da Federação Inglesa diz que «nada mudou», líder da Federação Alemã quer «reinício político»

Gianni Infantino, presidente da FIFA, pediu desculpas ao Conselho do organismo pelo polémico plano de alienação dos direitos comerciais da instituição, mas foi avisado de que não reúne condições para liderar caso não divulgue todos os documentos e responda a questões cruciais. A reunião decorreu esta quinta-feira, em Zurique, marcando o primeiro encontro do órgão executivo desde que foi revelada a proposta secreta FIFA Forward Enterprise (FFE), entretanto cancelada pelo dirigente poucos dias após a sua conceção.

O projeto FFE previa a entrega de uma parcela dos direitos comerciais da organização que tutela o futebol mundial a uma empresa de investimento privado. Durante o encontro de três horas e meia, o presidente foi confrontado com o dossiê, mas não só: a suspensão do castigo por cartão vermelho ao avançado norte-americano Folarin Balogun, revertida após um pedido de revisão por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Prémio da Paz da FIFA, atribuído ao chefe de Estado norte-americano e o financiamento das federações nacionais estiveram igualmente no centro da discussão.

Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa (FA) e vice-presidente da FIFA considerou que muitas das dúvidas fundamentais ficaram por esclarecer, apesar de ter sido «a reunião do Conselho mais robusta, franca e aberta» em que já participou.

A dirigente britânica sublinhou a insistência no acesso à informação: «Pedi repetidamente para que os documentos fossem partilhados. Não os recebi e, apesar do pedido de hoje, continuo sem os receber. Trata-se da fundamentação para a forma como a FFE aconteceu, o caso de Balogun, o Prémio da Paz. As respostas a essas perguntas determinarão, do meu ponto de vista pessoal, se Gianni é ou não o candidato certo. Será a partir desse momento que poderemos dizer se qualquer pessoa envolvida na FFE é de confiança ou não.»

Hewitt reconheceu que houve «algum arrependimento» no pedido de desculpas de Infantino, embora tenha criticado o alcance do mesmo: «Pelo que ele realmente pediu desculpa foi por não ter apresentado o assunto ao Conselho. Se o arrependimento é tão profundo, que partilhe connosco. Da minha perspetiva, nada mudou. Não tenho nenhuma informação nova que me faça pensar de forma diferente, além do facto de termos um presidente que pediu desculpa», acrescentou.

A FIFA vai a eleições em março do próximo ano e Gianni Infantino prepara-se para concorrer a um terceiro mandato. Com o prazo de candidaturas a terminar a 18 de novembro, Hewitt destacou a relevância de existir alternativa: «É importante para o Gianni ter alguém com um manifesto diferente e bom para a FIFA ter essa escolha. Estamos numa democracia. Devemos lembrar-nos de que existem 211 federações e é essencial que todas tenham a oportunidade de votar conforme aquilo que sentem. Tem de ser alguém que coloque o futebol em primeiro lugar, que una o mundo e tenha a coragem de implementar reformas», adicionou.

Também Bernd Neuendorf, presidente da Federação Alemã (DFB) e membro do Conselho da FIFA, foi crítico de Infantino. «Toda a administração necessita de uma reforma, mas é bastante claro que tal não será possível com o Gianni à frente da FIFA. Precisamos de um reinício político completo. É verdade que ele pediu desculpa, mas não senti que o tenha feito por causa do projeto, mas sim por não o ter divulgado ao Conselho», afirmou.

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