«Gonçalo Paciência vai dar a vida para marcar e ganhar ao Benfica»
Nené, antigo médio açoriano, agora a representar o Johor FC, da Malásia, recorda em conversa com A BOLA o triunfo – único na história – do Santa Clara frente ao Benfica, em 2019/20, e o empate na temporada seguinte. O açoriano de 31 anos deteta neste Santa Clara de Petit a «garra e união que existia nesse tempo». Este, juntamente com a presença de um goleador especial na equipa açoriana, é o mote para lançar o duelo entre Santa Clara e Benfica, na segunda-feira, na nona jornada do campeonato.
— Que recordações tem da vitória do Santa Clara frente ao Benfica?
— Foi um momento único. É verdade que quando ganhámos ao Benfica no Estádio da Luz foi na altura do covid. O estádio estava vazio, mas isso não retirou o mérito da nossa vitória. Não é toda a gente que pode dizer que ganhou no Estádio da Luz, ainda por cima por 4-3. Foi uma vitória muito marcante.
— Acreditavam que era possível vencer ainda antes do jogo começar? Até porque o estádio ia estar vazio?
—- Com certeza que pensávamos nisso. A verdade é que quando se joga no Estádio da Luz cheio é muito mais difícil, mas na verdade também nós tínhamos um grupo muito forte e uma equipa com muita qualidade. Tudo correu bem nesse jogo. Não é fácil conseguir ganhar ao Benfica, mas conseguimos.
— Nesse jogo o Santa Clara marcou primeiro, o Benfica deu a volta, e a reviravolta surgiu nos descontos. A equipa nunca baixou os braços…
— Nós tínhamos um grupo muito forte, com o Ukra, o Fábio Cardoso, o Zé Manuel... éramos muito unidos e nunca baixávamos os braços. Lutávamos sempre até ao final e por isso é que fizemos uma época muito boa.
— Em 2021, no empate (1-1) em São Miguel, o jogo começou no domingo por causa da chuva e continuou na segunda-feira…
— Para mim, foi um dos melhores jogos nos anos em que estive no Santa Clara. Estava mais propício para nós, porque ia ser na luta. Com o campo encharcado devido à chuva, retirava vantagem ao Benfica. Na segunda-feira foi novamente de luta, entrega, espírito de grupo e conseguimos um bom resultado.
— Na atual equipa do Santa Clara, consegue rever essa atitude e união?
— Confesso que não tenho acompanhado muito, porque devido ao fuso horário, os jogos aqui [Malásia] são sempre às três da manhã, ou mais tarde. Mas sei que o treinador Petit apela muito esse aspeto às suas equipas, que são lutadoras e nunca deitam a toalha ao chão, mesmo quando as coisas não correm bem. E está a fazer um bom trabalho. Agora, em São Miguel, não ficarei surpreendido se o Santa Clara conseguir um bom resultado com o Benfica.
— Aposta em golo do Gonçalo Paciência? Ele tem apetência para marcar aos grandes…
— ... ainda para mais sendo portista, não é? Acredito que vai dar a vida para conseguir fazer golo e ganhar ao Benfica. De certeza absoluta.
— O que é que o Santa Clara tem de fazer para conseguir um bom resultado?
— Taticamente tem de estar muito bem e ser muito forte nos duelos e muito agressivo para conseguir fazer frente à clara superioridade técnica do plantel do Benfica. E ter espírito de sacrifício e de luta, correr mais, para além da qualidade que, obviamente, também tem. Claro que não a podemos comparar com a do Benfica, mas no futebol são 11 contra 11 e tudo é possível.
«Estive no Santa Clara três épocas, na altura tive a possibilidade de renovar, mas tive sempre o objetivo de jogar no estrangeiro, e senti que era a oportunidade certa para isso. E não me posso queixar, as coisas têm corrido bem. Fui para a Polónia, fui campeão, depois vim para a Ásia, mais por motivos financeiros. Não me posso arrepender, as coisas têm corrido bem. Aqui na Malásia também está a ser uma boa experiência. Na Malásia não há competitividade. A nossa equipa é muito superior, o resto das equipas o nível é baixo taticamente e tecnicamente. É muito, muito inferior, sem comparação, a Portugal. E os estádios, os campos de futebol também, só o nosso é bom, o resto são ervados. [voltar a Portugal?] Prevejo mais voltar à Polónia. Fui lá campeão e deixei melhores impressões, em Portugal nem tanto. E a minha esposa é da Polónia, a minha filha também nasceu lá. Portanto, se eu tivesse de prever o meu futuro depois de sair daqui, seria para lá que iria.»