Humilhação na Champions causou estragos: «Hesitei, faltou-me lucidez»
Na passada quarta-feira, o Lens entrou de forma inglória para a história ao sofrer uma pesada goleada em casa perante o Como (1-9) na Champions. Yannick Cahuzac, que assumiu o comando técnico há apenas mês e meio, continua uma dura aprendizagem ao mais alto nível europeu e não escondeu os erros cometidos.
«Quando analiso o jogo, vejo dois fatores onde falhámos: o aspeto tático e o emocional. O segundo golo fez-nos muito mal e sucedeu-se uma série de erros. No plano emocional, falhámos todos, a começar por mim. Ao intervalo tinha decisões a tomar. Hesitei entre fechar a equipa com o 0-3 ou lançar sangue novo para tentar mudar algo. O resultado foi estar 0-6 dez minutos depois. Faltou-me lucidez nesse momento. É difícil, mas faz parte do ofício», reconheceu o treinador na conferência de imprensa desta sexta-feira.
Cahuzac assumiu a responsabilidade pelo desaire. «Nem os jogadores nem eu nos reconhecemos. Foi uma falha global pela qual sou o principal responsável. Temos um jogo muito importante pela frente [Marselha] e é uma sorte voltar a jogar depois de uma derrota destas. Temos de regressar ao essencial», apontou, passando a palavra a Jonathan Gradit.
«Muitos sentimentos passaram pela nossa cabeça, sobretudo vergonha, frustração e revolta. Não é um momento fácil. Vamos unir-nos, sendo solidários. A direção reuniu-se connosco. Era importante para eles dizer certas verdades. Quando há coisas a serem ditas, têm de se dizer. Não podemos banalizar este jogo, somos todos responsáveis. Houve falhas nesta partida, principalmente a nível de atitude. Cabe aos líderes lembrar aos jogadores que vestir esta camisola exige respeito pelo clube», frisou o defesa.
O jogador, de 33 anos, recordou ainda outros momentos difíceis e apelou ao caráter do grupo: «Já nos aconteceu sofrer desaires marcantes (0-6 contra o Arsenal) e a confiança fica abalada. Nesses casos, o que se faz? Ou paramos, atacamo-nos uns aos outros e dizemos que não valemos nada, ou tentamos unir-nos e mostrar personalidade. É preciso reagir rapidamente com muito caráter. Como futebolistas, não podemos aceitar sofrer uma derrota assim nem ter uma exibição destas. Sem caráter, não se sobrevive neste meio.»
«O balneário é capaz de seguir em frente. Juntamente com o Flo [Thauvin], é nosso papel resolver certos assuntos com certas pessoas e apontar as más atitudes. Infelizmente, elas existiram neste jogo, mas foi um naufrágio coletivo. Não há um único culpado quando se sofre um resultado deste calibre, a responsabilidade é de todos. Tem de ser uma derrota marcante na temporada», concluiu Gradit.
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