Gonçalo Paciência bisou no dérbi insular entre Santa Clara e Nacional — Foto: Eduardo Costa/LUSA
Gonçalo Paciência bisou no dérbi insular entre Santa Clara e Nacional — Foto: Eduardo Costa/LUSA

Houve Champions no dérbi. Depois? Muita Paciência... (crónica)

Gonçalo entrou com tudo e bisou em apenas dois minutos. Alvinegros reagiram em grande nível e Igor Liziero e Miguel Baeza empataram. Qualidade caiu muito

Que 45 minutos de grande qualidade no dérbi insular que encerrou a ronda inaugural da Liga. Com as devidas distâncias, claro está, podemos mesmo dizer que a primeira metade do desafio foi de nível Champions: quatro golos, oportunidades em catadupa e vários momentos de enorme espetacularidade. Quem comprou bilhete para assistir ao vivo ao encontro... já o tinha pago ao intervalo.

A entrada em jogo do Santa Clara foi como que um autêntico... furacão. Os comandados de Petit deram corpo à organização que já patenteavam na época passada e não precisaram de muito tempo para começar a ameaçar.

Gonçalo Paciência (5'), Vinícius Lopes (6') e Sorriso (16') deram os primeiros avisos, mas o que parecia óbvio aconteceu mesmo. Erro clamoroso de Joel Silva na primeira fase de construção, remate de Vinícius Lopes para uma boa mancha de Renato Marín, mas, na recarga, Gonçalo Paciência, à matador, não perdoou e atirou a contar.

Estávamos no minuto 19 e o golo do experiente ponta de lança coloria o marcador de justiça. Mas os visitados não tiraram o pé do acelerador e voltaram à carga logo a seguir... com o mesmo sucesso: Diogo Calila bateu um canto à esquerda e Gonçalo Paciência, na pequena área, cabeceou certeiro para dobrar a vantagem do emblema de Ponta Delgada (21'). Tudo pareciam ser rosas...

Mas a tese defendida por alguns de que o 2-0 é o resultado mais perigoso do futebol teve tradução à letra em território açoriano. O Nacional como que acordou de uma meia hora debaixo de nuvens negras e Pablo Ruan começou a mostrar a cabeça (29'). Sorriso, pelo meio (32') ainda obrigou Zé Vítor a um desvio decisivo, para canto, mas, logo a seguir, surgiu mesmo a reação da formação orientada por João Gião: Guilherme Romão travou Markus Jensen no interior da área, e Igor Liziero, chamado à cobrança do respetivo penálti, reduziu a desvantagem dos alvinegros (36').

O golo fez bem aos forasteiros e Pablo Ruan tentou, primeiro, o que ofereceu, depois: remate do camisola 99 para excelente defesa de Lucas França (41') e cruzamento para tiro de primeira de Miguel Baeza — após corte de Pedro Pacheco, de cabeça. Belo golo do médio espanhol do Nacional.

A etapa complementar não teve nem metade da qualidade da primeira metade, fruto dos acertos coletivos de ambas as equipas e também de algum cansaço acumulado de vários jogadores, mas o que ficou para trás não pode ser apagado. Foram 45 minutos de autêntico luxo no dérbi. Depois disso... muita Paciência.

Petit (treinador do Santa Clara):

Agradeço à SAD pelo investimento que fez no relvado, que é de muita qualidade. Entrámos bem, fizemos dois golos e tivemos mais oportunidades. Depois sofremos numa bola parada e em cima do intervalo. É um ponto na nossa caminhada.

João Gião (treinador do Nacional):

No primeiro erro sofremos um golo e esse momento abalou-nos, de tal forma que voltámos a sofrer logo a seguir. Mas fomos equipa com caráter, com alma, e fomos atrás do resultado. Fizemos por merecer. Segunda parte foi mais encaixada.

O melhor em campo: Gonçalo Paciência (Santa Clara)

Velhos são os trapos. Afinal, o internacional português está como o Vinho do Porto. Aos 32 anos, o ponta de lança entrou na nova época a demonstrar que mantém as suas qualidades absolutamente intactas e tornou-se no primeiro jogador a bisar na presente edição do campeonato. Primeiro com o pé direito, à matador, depois de cabeça, numa bela antecipação. Atenção ao camisola 9...

A figura: Igor Liziero (Nacional)

Quase todo o jogo dos alvinegros passa pelo pé esquerdo do médio brasileiro e isso diz (quase) tudo da preponderância que o internacional olímpico pelo Brasil tem (também) na equipa de João Gião. O canhoto controla e domina os tempos, executa quase sempre com alta definição e, na hora da verdade, quando foi chamado à conversão do penálti, não deu hipótese a Lucas França.

As notas dos jogadores do Santa Clara:

As notas dos jogadores do Nacional:

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