Heróis do mar, nobre povo
O quarto lugar alcançado por Portugal no Mundial de 2025 aguçou a expetativa para este Europeu e a nossa Seleção não nos desiludiu: 5.º e a melhor de sempre em Campeonatos da Europa. Que bravura, que fome de vencer, que grandiosa forma de defender Portugal tiveram, uma vez mais, os nossos Heróis do Mar!
Todos conhecemos o tremendo sucesso português lá fora do futsal e do hóquei em patins, mas, convenhamos, são modalidades de pavilhão que, ao dia de hoje, não têm a expressão e relevância internacional do andebol, sobretudo porque a competitividade está restrita a uma mão apenas de países. No andebol, o caso é diferente, há vários colossos e podemos, hoje, orgulhar-nos de ter uma das melhores seleções do Mundo na modalidade.
Não sei se algum dia chegaremos às medalhas — que bonito seria fazê-lo em casa, quando organizarmos (com Espanha e Suíça) o Euro-2028, se não puder ser já no Mundial do próximo ano —, mas o direito de sonhar já ninguém nos tira. Num país em que, por tradição, o futebol engole tudo o resto, é refrescante poder testemunhar este fenómeno no andebol, assim como a glória de Fernando Pimenta, Isaac Nader, Iúri Leitão, Rui Oliveira, Pedro Pichardo, Diogo Ribeiro ou João Almeida. Perdoem-me os restantes, que são muitos, felizmente.
A histórica prestação da Seleção no Europeu fechou com chave de ouro a semana europeia desportiva para Portugal, depois de Sporting e Benfica, de forma absolutamente épica na Liga dos Campeões, e FC Porto e SC Braga, na Liga Europa, terem assegurado que vão continuar a ter futebol europeu no calendário para lá das fases de liga. É certo que as prestações europeias não podem, nem devem, apagar alguns tropeções nas competições nacionais, nos casos de leões, águias e arsenalistas, mas que importantes foram para (finalmente) ultrapassarmos os Países Baixos no ranking da UEFA e estarmos muito perto de, daqui a duas épocas, voltarmos a ter três equipas na maior prova.
Melhor: a campanha europeia tem sido tão boa que isso até poderá acontecer já na próxima época, através do ranking anual da UEFA. Com menos dinheiro, menos poder nos jogos de bastidores, menos recursos e com discussões a mais por cá sobre árbitros, VAR, milímetros de foras de jogo e comunicados que daí advêm, facto é que este pequenino país, quase esquecido no canto da Europa, continua a ser capaz de se superar contra os maiores do continente...