Francesco Farioli no ensaio geral do FC Porto antes do embate decisivo com o Estugarda - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
Francesco Farioli no ensaio geral do FC Porto antes do embate decisivo com o Estugarda - Foto: Catarina Morais/KAPTA+

O bom momento, Thiago Silva e o estágio no Algarve: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez o lançamento do jogo decisivo com o Estugarda, marcado para as 20h00 desta quinta-feira, no Estádio do Dragão

Francesco Farioli não está à espera de encontrar, esta quinta-feira, um Estugarda diferente em relação àquele que o FC Porto derrotou na semana passada, por 2-1, colocando-se em vantagem nos oitavos de final da UEFA Europa League. Ainda assim, o técnico dos dragões realça a importância de a equipa entrar em campo como se a eliminatória estivesse a zeros, até porque, diz o próprio, «o que aconteceu na Alemanha fica na Alemanha».

— Que peso tem a vantagem trazida da Alemanha? O que pode dizer sobre o trabalho feito pelos extremos ao longo da época?

— Sobre a primeira parte da pergunta, que é relativa ao jogo de amanhã: é claro que é melhor ter uma pequena vantagem, por isso estamos felizes. Mas, na realidade, devemos considerar que começamos 0-0. Amanhã será um novo jogo, uma nova história. Temos de abordar a partida com o desejo de vencer; não há nada mais, nem nada menos que possamos fazer. Essa será a nossa abordagem, porque vamos enfrentar uma equipa que, com certeza, virá com muito desejo e muita intensidade, e temos de estar prontos para responder da forma adequada. Portanto, a vantagem já faz parte do passado. O que aconteceu em Estugarda, fica em Estugarda. Agora é amanhã, no Dragão, e temos de entrar com tudo para passar a eliminatória. Sobre o Borja e o papel de todos os avançados: já mencionei várias vezes a importância de todos os jogadores. O Borja é um dos que mais jogou, creio que é o terceiro ou quarto jogador com mais minutos na temporada e o terceiro ou quarto com maior contribuição em golos. Os números falam por si. Por outro lado, há o que estes rapazes entregam em termos de energia, trabalho, compromisso e espírito de sacrifício. É algo único e, como já disse várias vezes, estou muito grato pelo trabalho que estão a realizar e pela ajuda que dão à equipa.

— De que forma é que estar em desvantagem pode mudar a abordagem do Estugarda no jogo da segunda mão?

— Na realidade, não creio que mude muito, porque ambas as equipas têm uma mentalidade e uma postura muito claras. Para eles, ser mais agressivos do que foram na primeira mão é difícil, embora eu ache que vão replicar um jogo muito semelhante. No último jogo deles contra o Leipzig, ajustaram algumas coisas — pequenos posicionamentos e características de alguns jogadores em certas funções — mas a identidade deles é muito clara, tal como a nossa. Portanto, do ponto de vista tático, espero um jogo muito parecido, claro que com adaptações baseadas no conhecimento mútuo. Certamente será um jogo decidido nos detalhes e em pequenos ajustes. O mais importante será a energia, a intensidade e o desejo que colocarmos em campo. Isso tem de estar presente e, depois, a parte tática será o suporte ideal para uma exibição de topo, que é do que precisamos para passar.

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— O Thiago Silva pode chegar aos 1000 jogos na carreira amanhã. O que representa esse número e como é que o jogador está depois de um momento familiar tão difícil?

— Esse possível feito é incrível. Não sei quantos jogadores conseguiram atingir os mil jogos profissionais, mas é algo único e diz muito sobre a carreira do Tiago e o que ele fez no passado e continua a fazer. Ele continua a ser um jogador de elite e prova-o sempre que entra em campo com a camisola do FC Porto. A oportunidade de atingir este objetivo individual é fantástica, mas tenho a certeza de que, na cabeça dele, a prioridade é ajudar a equipa a passar. Ele está a viver um momento muito difícil, mas, além de ser um jogador de elite, é um líder incrível, com capacidade de liderar pela voz e, acima de tudo, pelo exemplo. Desde que voltou para junto da equipa, tem estado com a atitude e a energia certas. Ele tem agora mais um motivo para competir e ajudar o clube.

— Tenciona promover várias alterações no onze? E, já agora, o facto de, nos últimos jogos, o FC Porto estar a conseguir marcar mais do que um golo na primeira parte é algo que o tranquiliza?

— Sobre o desejo de marcar o mais cedo possível: todos os treinadores e equipas querem chegar à vantagem cedo. É o normal. O que tentamos fazer é abordar o jogo com uma certa atitude e o desejo claro de impor a nossa forma de jogar, de sermos protagonistas. Amanhã jogamos contra uma equipa que é muito parecida connosco nesse aspeto; são muito corajosos com e sem bola. Partilhamos uma visão comum sobre como a equipa se deve comportar. Quanto a alterações, vamos ver, ainda temos algumas horas para decidir. Estou muito grato ao meu plantel e às pessoas que me ajudaram a construir a equipa, nomeadamente o presidente. Temos uma equipa muito competitiva. Recentemente fizemos rotações acentuadas entre jogos, mudando 7 ou 8 jogadores, porque é importante chegar a esta fase com a energia certa e pernas frescas. Isso só é possível quando todos estão prontos para competir ao mais alto nível. Vamos jogo a jogo.

— O FC Porto parece estar a atravessar um dos melhores momentos da época. Foi algo projetado para esta fase na preparação?

— Uma das partes interessantes do nosso trabalho é olhar para o próximo jogo, fazendo zoom in, mas também ter uma visão a longo prazo, para perceber os cenários das competições. Mais uma vez, destaco o trabalho do clube e do presidente na construção deste grupo. A semana que passámos no Algarve em janeiro foi fundamental para integrar os novos jogadores, reforçar a condição física e refrescar conceitos táticos. Foram pequenos detalhes que criaram as condições para sermos bem sucedidos. Desde julho, mudámos muitos jogadores, mudámos a mentalidade e o estilo de jogo. O trabalho tem sido positivo e chegamos ao final da época no lugar certo mental e fisicamente.

— Os médios parecem chegar a esta fase revigorados, nomeadamente o Gabri Veiga. Quão fundamental tem sido essa energia?

— A energia do meio-campo é vital, tal como a dos avançados. As peças do puzzle estão a encaixar. O Froholdt, por exemplo, teve uma carga muito grande sobre os ombros em dezembro e janeiro e talvez tenha tido uma pequena quebra, mas agora está outra vez ao seu nível mais alto. O mesmo se aplica ao Rodrigo [Mora], ao Gabri, ao Borja [Sainz] e ao Oskar [Pietuszewski]. Temos um grupo muito ligado, onde todos trabalham uns pelos outros. Dou o exemplo do Dominik [Prpic]: não tem tido muitos minutos ultimamente, mas vem treinar todos os dias com um grande sorriso e muita energia. É disto que precisamos para manter o nível até ao fim.