Herói olímpico não se sente assassino: «Tinha de acontecer, a família da vítima perdoou-me»
Benjamin Karl fez história em Itália ao tornar-se o mais velho campeão olímpico de inverno numa modalidade individual. Aos 40 anos, 3 meses e 23 dias, reconquistou a medalha de ouro no slalom gigante paralelo, que tinha ganhado em Pequim 2022.
Após o triunfo, a sua celebração efusiva, sem camisola, captou a atenção mundial. «Há quem diga que é normal, mas que me vista, por favor, e coisas do género. Haverá sempre comentários assim. No entanto, não o fiz por mais ninguém, apenas por mim», afirmou Benjamin Karl, segundo o jornal Heute, no programa de debate Riesenrad da Sky Sport Austria.
«Não me apercebi da importância que esta segunda medalha de ouro de Livigno teria. Que me tornaria uma lenda e confirmaria o que fiz durante toda a minha vida. Que as pessoas, de alguma forma, precisavam disso para se convencerem de que a minha carreira é o que é. Isso, realmente, não esperava», acrescentou.
O ganhador de quatro medalhas olímpicas não evitou o tema do trágico acidente de viação de 2021 que envolveu a morte de homem de 70 anos. Benjamin Karl foi condenado em abril de 2022 por homicídio por negligência, a pena suspensa de três meses de prisão.
«Antes de entrar num túnel anti-avalanches a estrada estava apenas húmida, sem quaisquer risco de aquaplanagem. No entanto, à saída havia dez centímetros de granizo na estrada. Não era visível, porque estava encadeado com tanto luminosidade. Naquele momento, já era impossível controlar o carro», descreveu os momentos que levaram à tragédia.
«Foi simplesmente um dia fatídico. Todos os detratores que afirmam que eu não merecia ser o porta-estandarte da Áustria, porque tenho uma vida na consciência, deveriam primeiro estudar bem toda a história, as circunstâncias e as condições em que isso aconteceu. Depois, rapidamente se calariam», continuou.
O pentacampeão mundial sublinhou, ao mesmo tempo, que não se sente um assassino e que a família da vítima também não o vê dessa forma. «Sinceramente, não me considero um assassino. É daquelas coisas que têm de acontecer... Simplesmente, existem dias fatídicos. Tenho uma sorte enorme, porque a família da vítima é a mais gentil que existe. Perdoaram-me, estamos em contacto e por isso só lhes posso agradecer.»