Há muito que as coisas não correm bem ao Ajax, mas há uma nova ilusão
Um só jogo bastou para que Óscar García devolvesse a esperança aos adeptos do Ajax, que há muito não sentiam tanto entusiasmo pela sua equipa, em profunda crise interna e de resultados. A goleada por 4-0 sobre o Sparta de Roterdão marcou a melhor estreia de um treinador no clube desde Ronald Koeman em 2001, gerando uma onda de elogios por todo o país a um técnico que, em 25 anos, é o 20.º a passar pelo banco do emblema de Amesterdão.
A imprensa neerlandesa não poupou elogios à transformação da equipa. O jornal De Telegraaf destacou que «o novo treinador conseguiu em cinco dias preparar um plantel que parecia debilitado», enquanto o AD notou que «as intenções do Ajax eram muito diferentes», elogiando a pressão intensa e a procura rápida pela profundidade após a recuperação da posse de bola.
A aposta em Óscar García para a equipa principal surgiu apenas um mês após a sua chegada ao clube pela mão de Jordi Cruyff, em fevereiro, para orientar a equipa B. Os maus resultados de Fred Grim, aliados ao bom trabalho do espanhol no Jong Ajax, onde somou sete pontos nos três primeiros jogos, levaram o novo diretor desportivo a promover a mudança. «Não é um treinador qualquer», comentou Henk ten Cate. «Tenho a sensação de que está a marcar a diferença», acrescentou.
As mudanças foram visíveis logo no onze inicial, considerado uma declaração de intenções. Tomiyasu, que não era titular desde junho de 2024, assumiu a lateral esquerda, uma posição problemática durante toda a época. «García quer que joguemos com agressividade. Mudou a nossa mentalidade. É muito intenso, sobretudo nos treinos», afirmou o jogador japonês, que acrescentou: «Não quero comparar com Fred Grim, mas ele é mais intenso».
Outra surpresa foi a aposta no jovem Konadu para a frente de ataque, devido à lesão de Weghorst e a problemas estomacais de Dolberg, tendo o avançado da formação realizado uma excelente exibição. A melhor notícia, contudo, foi o regresso em grande forma de Berghuis. O experiente médio-ofensivo marcou um golo e esteve na origem de outro, quebrando um jejum que durava desde agosto.
O próprio treinador espanhol confirmou que a intensidade é um pilar do seu método. «Estou muito satisfeito. Desfrutei muito e jamais esquecerei esta noite. O mínimo é treinar a alta intensidade e a um ritmo elevado», declarou Óscar García, que também abordou aspetos a melhorar, como o jogo de pés do guarda-redes Paes e a projeção ofensiva dos laterais para criar superioridade no meio-campo.
O capitão Klaassen mostrou-se rendido ao novo técnico: «Não teve muito tempo, tivemos sobretudo reuniões. Mostrou-nos como queria jogar e conseguimos plasmar isso bastante bem». Também o jovem Steur vê um futuro promissor: «Está muito atento aos jogadores. É como deve ser, na minha opinião. Quando se treina assim, nota-se nos jogos».
Clássico à porta e a Champions como único objetivo
Já fora da Taça e das competições europeias, e a 21 pontos do líder, a única motivação do Ajax para o resto da temporada é garantir um lugar na Liga dos Campeões. O segundo lugar, que dá acesso direto, está a cinco pontos, enquanto o terceiro, de acesso à pré-eliminatória, está a apenas dois.
O próximo desafio é crucial: o clássico contra o Feyenoord, atual segundo classificado. «Restam-nos sete jogos. Temos de ganhá-los todos», afirmou Tomiyasu, que considera o próximo encontro como «o jogo mais importante do ano». Uma vitória sobre o rival pode relançar a luta pelos lugares cimeiros.
Com o título da Eredivisie já decidido, a luta pelos cobiçados lugares de acesso à Liga dos Campeões promete ser emocionante nas sete jornadas que restam.