Gustavo Silva apontou o golo que selou o triunfo do Vitória de Guimarães na receção ao Nacional — Foto: Hugo Delgado/LUSA
Gustavo Silva apontou o golo que selou o triunfo do Vitória de Guimarães na receção ao Nacional — Foto: Hugo Delgado/LUSA

Gustavo subiu (à) Nogueira para colher... um chocolate (crónica)

Brasileiro aproveitou uma das muitas diabruras do português para selar o triunfo do Vitória de Guimarães. Samu falhou um penálti. Reação do Nacional não deu para voltar a pontuar

Ir ao cimo de uma nogueira pressupõe apanhar nozes. Mas também é possível subir a uma Nogueira e colher um belo... chocolate. Foi o que fez Gustavo Silva.

O extremo brasileiro cometeu uma pequena traição diante da antiga equipa e, logo aos 4 minutos, aproveitou o cruzamento milimétrica do jovem português para, depois de amortecer com o peito, rematar certeiro para a explosão de alegria dos quase 16 mil espectadores presentes no reduto minhoto.

E se Tiago Margarido tinha dado conta da enorme vontade do grupo em reagir à entrada em falso no campeonato, um golo a abrir o desafio foi, com toda a certeza, a melhor forma de demonstrar que o Vitória está forte e com todas as condições para realizar uma época à altura das exigências do clube.

Mas voltemos, então, ao chocolate. Expressão que na gíria futebolística remonta a momentos de grande categoria protagonizados por uma equipa. Assim foi a primeira para dos conquistadores. De altíssimo nível e com oportunidades em catadupa para aumentarem a contenda. Mas Tony Strata (3' e 43'), Miguel Nogueira (10' e 16'), Gustavo Silva (17', 27' e 38'), Alioune Ndoye (32') e João Mendes (34') não tiveram a mira devidamente calibrada e os minhotos chegaram ao descanso apenas com a (injusta, percebe-se) vantagem mínima.

Nesse período inicial, refira-se, os madeirenses apenas por uma vez conseguiram incomodar verdadeiramente Oliwier Zych, mas o desvio de Pablo Ruan, na sequência de um bom cruzamento de Léo Santos — central que se tinha integrado na manobra ofensiva —, saiu a rasar o poste esquerdo da baliza (42').

E voltando às oportunidades claras desperdiçadas pelos vitorianos, chegamos ao início da etapa complementar e constatamos que aos 49 minutos surgiu mais um momento soberano para que o conjunto minhoto avolumasse o marcador: Zé Vítor derrubou (o endiabrado) Miguel Nogueira no interior da área, mas Samu, chamado à marca dos 11 metros, viu Renato Marín realizar uma excelente intervenção e negar-lhe os intentos de forma categórica.

Ato contínuo, o árbitro da partida apontou de novo para a marca do castigo máximo, por suposta falta sobre Samu, mas, após ir ver as imagens ao monitor, Pedro Ramalho reverteu a decisão.

O encontro entrou, então, numa fase de maior equilíbrio, o Nacional conseguiu subir linhas de pressão e chegar a zonas de finalização, mas Igor Liziero viu a barra devolver-lhe um remate que levava lume (53').

O Vitória já sabe ganhar (fez muito por isso), o Nacional viu quebrada a invencibilidade.

O melhor em campo: Gustavo Silva (Vitória de Guimarães)

Um foguete quando decidiu investir nas jogadas individuais e um matador quando optou por pisar terrenos interiores. Num desses movimentos sem bola, em que, como mandam as leis para um extremo quando o lance está a decorrer do lado contrário, apareceu no coração da área para, com categoria, atirar certeiro e selar o primeiro triunfo dos vitorianos. Como é seu apanágio... foi decisivo.

A figura: Renato Marín (Nacional)

Grandes defesas a remates de Tony Strata (3') e Gustavo Silva (38') foram o mote para o voo espetacular e altamente eficaz que permitiu ao guarda-redes do emblema madeirense defender o castigo máximo de Samu, em que a bola tinha sido enviada para junto do poste e Marín esticou-se todo para impedir a felicidade do capitão vimaranense. Já no golo de Gustavo Silva, nada a fazer.

As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:

As notas dos jogadores no Nacional:

Renato Marín (7), Léo Santos (5), Matheus Dias (5), Zé Vítor (4), Wesley Gasolina (5), Filipe Soares (6), Igor Liziero (6), Markus Jensen (5), Miguel Baeza (5), Pablo Ruan (5), Daniel Júnior (5), Daniel de la Cruz (5), William Kokolo (5), Stavros Gavriel (5), Allen Obando (—) e Matchoi Djaló (—).

Tiago Margarido (treinador do Vitória de Guimarães):

Seria hipócrita dizer que esta vitória não é extremamente importante para nós, Fizemos 23 remates e fomos acutilantes na procura da baliza. A equipa madura quando necessário. Triunfo justo diante de um adversário que vendeu cara a derrota.

João Gião (treinador do Nacional):

A nossa primeira meia hora não foi boa. O Vitória chegou justamente à vantagem e até podia ter aumentado. Tivemos boa reação e uma segunda parte mais de acordo com o que temos vindo a fazer. Mas o resultado acaba por ser justo.

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