John Toshack durante um Swansea-Huddersfield, em 2017
John Toshack durante um Swansea-Huddersfield, em 2017 - Foto: IMAGO

Guerra na família de Toshack, ex-Sporting, por diagnóstico de demência

Mulher e o próprio galês, de 77 anos, negam a versão do filho, Cameron

A família de John Toshack, antigo treinador do Sporting e lenda do Liverpool e País de Gales, está dividida por causa do seu estado de saúde, com o filho a garantir que o pai sofre de demência, alegação que o próprio e a esposa negam veementemente.

A polémica estalou quando Cameron Toshack, filho de um casamento anterior do antigo futebolista, de 77 anos, afirmou ao Daily Mail Sport que o pai, a viver em Espanha com a mulher Mai Angulo, recebeu um diagnóstico formal de demência. No entanto, quando visitado por jornalistas espanhóis, o casal desmentiu a notícia.

Cameron, que é treinador de futebol na Tailândia, insiste na veracidade do diagnóstico. Ao jornal britânico, descreveu a condição do pai como uma «doença terrível», explicando que a memória a curto prazo é a mais afetada. «É na memória a curto prazo que notamos. Falo com ele quase todos os dias e, se conversarmos à tarde, ele pode não se lembrar de que também falámos de manhã», disse, acrescentando que, apesar disso, o pai recorda com «detalhes incríveis» as suas passagens por Liverpool, Real Sociedad ou Real Madrid.

Confrontado diretamente sobre se o diagnóstico era formal, Cameron respondeu afirmativamente: «Sim».

Por sua vez, o próprio John Toshack, que esteve em Alvalade em1984/85 e projetou talentos como Litos e Oceano, refutou as alegações do filho. Ao receber um jornalista do El Mundo em casa, em Besalu, na Catalunha, o galês brincou: «Demência? Ainda não!». E acrescentou, com humor: «Esqueci-me de todos os golos que falhei, mas lembro-me perfeitamente dos que marquei».

A esposa, Mai Angulo, com quem está casado há 33 anos, também contestou as declarações do enteado. Em entrevista ao El Diario Vasco, admitiu que a covid-19 deixou a Toshack «sequelas muito graves, tanto físicas como mentais», mas criticou Cameron. «Só sabe do que fala muito ocasionalmente ao telefone com o pai. Não o vê há dois anos. Por isso, surpreendeu-me muito que ele tenha dito isto», afirmou.

Angulo recordou os momentos difíceis que o casal atravessou em 2022, quando Toshack esteve internado nos cuidados intensivos. «Não podemos esquecer que passámos por momentos terríveis, com o John sedado numa unidade de cuidados intensivos, sem sabermos como iria evoluir. Ele diz sempre que esteve fora deste mundo por mais de 10 dias e que, quando, graças a Deus, voltou, não entendia nada», revelou, lamentando a falta de apoio de alguns familiares durante esse período.

Apesar da controvérsia, John Toshack mostrou-se bem-disposto perante a imprensa espanhola, chegando a recitar, de forma descontraída, uma das suas mais famosas citações dos tempos em que treinava o Real Madrid: «Às segundas-feiras, penso sempre em fazer 10 alterações na equipa. Às terças, sete ou oito. Na quinta, são quatro. Na sexta, duas, e no sábado volto a começar com os mesmos 11 c******».

O jornalista Luis Nunez-Villaveiran, do El Mundo, que esteve com o antigo jogador, corroborou a sua aparente lucidez. «O filho de John Toshack disse numa entrevista que o pai sofria de demência. Estive com ele e ele mantém a centelha pela qual ficou conhecido em clubes como Real Madrid ou Real Sociedad», escreveu.