Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN - foto:  MIGUEL A. LOPES/LUSA
Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN - foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Greve geral: ministra fala em «impacto reduzido», CGTP questiona

CGTP acusa governo de estar «alheado da realidade»

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, desvalorizou esta quarta-feira o impacto da greve geral, afirmando que a adesão no setor privado é «absolutamente residual» e que «a esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses está a trabalhar no local de trabalho».

Numa conferência de imprensa realizada em Lisboa, a governante sublinhou que, apesar de «qualquer greve geral ser grave» pelo seu impacto na vida dos cidadãos, os dados recolhidos junto de confederações patronais, entidades públicas e grandes empresas indicam que «o país está a trabalhar», dando a entender que mesmo a greve dos transportes não causou transtorno.

Segundo a ministra, no setor privado a adesão foi mínima ou mesmo «nula» em certas áreas. A indústria, incluindo os setores têxtil, do calçado e da metalomecânica, está a operar com normalidade. O mesmo cenário verifica-se no comércio, grandes superfícies e na logística de transportes de mercadorias, com base em informações da CIP, da Confederação do Comércio e da APED.

«Conclui-se que a esmagadora maioria os trabalhadores portugueses no sector privado está a trabalhar no seu local de trabalho. Outros propuseram-se a trabalhar em teletrabalho. No sector privado, a greve é residual. Nas fábricas, as pessoas estão a trabalhar. Toda a indústria está a trabalhar, de acordo com dados recolhidos pela CIP. No sector dos transportes e comércio e grandes superfícies, as portas também estão abertas. Na hotelaria e nas agências de viagem também está tudo a trabalhar normalmente», disse, mas ressalvou problemas nas escolas num dia de prova MoDa a português: «Na educação, a indicação que temos é que 40% dos alunos não puderam realizar a prova e 38 a 45% das escolas estão fechadas.»

A ministra revelou ainda que, nos hospitais privados, o funcionamento é normal, conforme dados da Associação Portuguesa dos Hospitais Privados.

Maria do Rosário Ramalho admitiu, no entanto, que a adesão à greve é superior no setor público, à semelhança do que ocorreu na paralisação de dezembro. Contudo, garantiu que os serviços públicos «estão genericamente a responder em pleno», com os serviços mínimos a serem cumpridos em áreas críticas como os transportes e a saúde.

CGTP fala em «alheamento da realidade»

Em resposta, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, acusou o Governo de ignorar a realidade. «Este é um Governo que revela um total alheamento da realidade, um Governo que mete a cabeça na areia e recusa ver as evidências que estão perante os seus olhos», afirmou aos jornalistas.

Tiago Oliveira criticou o facto de a ministra basear a sua análise em dados das confederações patronais, o que, na sua opinião, «é revelador do posicionamento deste Governo».

«Não podemos achar que está tudo a acontecer de forma inocente. O primeiro-ministro devia preocupar-se é porque é que os trabalhadores avançaram para duas greves gerais durante a sua legislatura. Essa é que deveria ser a sua preocupação: como é que as pessoas conseguem suportar o aumento do custo de vida?», questionou.

Os efeitos da greve começaram a fazer-se sentir ainda durante a noite. Em Lisboa, o Metropolitano suspendeu a circulação às 23h00 de terça-feira e só volta a operar quinta-feira. No Porto, apenas se encontram em funcionamento a Linha Amarela e o percurso entre a Senhora da Hora e o Estádio do Dragão. A paralisação está também a ter impacto no transporte ferroviário. Na CP, deixaram de circular 67 das 188 composições programadas. Nos aeroportos, prevê-se um dia particularmente difícil para os passageiros. Cerca de 65% dos voos programados foram cancelados, o que representa 329 dos 508 voos inicialmente previstos.

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