Goleada em Vila do Conde com chicote para deixar crise dormente (crónica)
Com uma primeira parte sem golos, pouca história junto às balizas e, por consequência, nenhuma oportunidade de golo flagrante, propunha aos caros leitores (caso me permitam) que se passasse já para a descrição do animadíssimo — mais na ótica famalicense o que rioavista… — segundo tempo.
A Caravela até entrou forte nessa etapa complementar, mas um lance de génio pela direita de Roméo Beney mudaria a história do jogo de uma forma que se mostrou irreversível. O extremo suíço abriu, aos 48’, um chocolate que vinha com recheio de três pontos. A primeira dentada resultou no momento mais bonito do jogo: o helvético ludibriou Vrousai na linha, puxou para dentro e apontou um dos tentos mais belos da jornada, de fora de área, num remate colocado de pé esquerdo sem qualquer hipótese para Vitor Hugo.
Estava dada a primeira chicotada da Era Ricardo Silva — que rende, de forma interina (até ver) Carlos Carvalhal, que foi despedido no início desta semana, após a eliminação da Taça de Portugal contra o Paredes (0-1).
Se, por um lado, o docinho de Roméo Beney amargurou os anfitriões, por outro, Léo Realpe ia dando um presente mais saboroso aos 73’, quando falhou um corte e permitiu que Blesa se isolasse. Aproveitando a deixa, o avançado rematou com estrondo para uma magnífica defesa de Carevic, com o esférico a embater ainda no poste direito da baliza.
Após o desperdício, a turma de Vasco Seabra — que provou aqui o primeiro dissabor desde que chegou a Vila do Conde — foi castigada com mais chicotadas dos minhotos, que estavam decididos em pôr a crise dormente.
Ao minuto 81, foi o Pedro Santos a trincar o chocolate, aparecendo muito bem pela direita (já dentro de área), após passe de Sorriso, finalizando para o 2-0.
A partir daí, passou a ver-se o tão ambicionado recheio de três pontos que sobraria para Óscar Aranda. Aos 85’, o espanhol (regressado de lesão depois de mais de um mês fora) apareceu de surpresa ao segundo poste para fazer o terceiro, após um passe delicioso de Pedro Santos que deixou a defensiva vila-condense igualmente surpreendida.
Dez minutos depois (já em tempo de compensação), o mesmo extremo voltou a faturar, mas de penálti. Pancho Petrasso tinha cometido falta sobre Mathias de Amorim dentro da área no último lance do encontro.
Foi incansável no meio-campo rioavista, merecendo aplausos da bancada dos Arcos a cada duelo ou recuperação. Foi sempre muito combativo, não tendo sido, de certo, pela vontade demonstrada pelo grego que a Caravela deixou escapar pontos. Revela ser o grande pulmão da equipa. Não é por acaso que, em três partidas, Vasco Seabra ainda não prescindiu do grego do grego de 25 anos.
As notas dos jogadores do Rio Ave: Vitor Hugo (4); João Tomé (5), Ntoi (5), Petrasso (4) e Vrousai (4); Diogo Nascimento (6) e Liavas (6); Clemmensen (5), Miguel Patrício (6) e Diogo Bezerra (6); Blesa (5); Zé Carlos (4), Malik Sellouki (4), Roland Galcík (-), Dario Spikic (-) e Tamble Monteiro (-)
Tanto Pedro Santos como Óscar Aranda podiam entrar nesta caixa sempre apetecível, mas foi o extremo suíço a desbloquear o jogo, com o tão badalado chocolate aos 48’. Seja famalicense ou vila-condense, qualquer adepto de futebol aplaudirá aquele lance. Aos 58’, o atacante fez um daqueles cruzamentos que é meio golo… Só foi pena não ter aparecido alguém para finalizar.
As notas dos jogadores do Famalicão: Carevic (6); Rodrigo Pinheiro (5), Víctor Rofino (5), Léo Realpe (5) e Gustavo Garcia (5); Van de Looi (6) e Tamás Szucs (6); Roméo Beney (8), Mathias de Amorim (7) e Sorriso (6); Koutsias (5); Pedro Santos (8), Patricio Salas (), Paulo Moreira (), Óscar Aranda (8), Marcos Peña (-)