José Mourinho  — Foto: IMAGO
José Mourinho — Foto: IMAGO

Golaço de Bruma, Spalletti e o 'amor' dos adeptos da Juventus: tudo o que disse Mourinho

Técnico luso desfez-se em elogios aos 'bianconeri', 'fintou' Rafa e elogiou personalidade do plantel encarnado, apesar das baixas

Rafa Silva já está fechado como jogador do Benfica? Foi um pedido seu?

— Não falo de jogadores de outros clubes, já sabem disso há muito tempo. O Rafa é jogador do Besiktas. É o modo ético de olhar para as coisas, para me proteger e ao meu clube. Só falo de jogadores do Benfica, disso não há nada para falar.

— O jogo emTurim é visto como uma final? 

É uma final como todas as outras. Olhando para a classificação e olhando para os pontos que normalmente são necessários para a qualificação, obviamente o Benfica precisa de pontos. Não sei dizer se precisamos de três, quatro ou cinco, não faço a mínima, só no fim do último jogo é que podemos saber, mas isso também nos liberta de alguma pressão. Se amanhã o empate fosse suficiente para nós, tínhamos algumas amarras do ponto de vista psicológico. Não as temos. Vamos jogar para ganhar. Sabemos contra quem jogamos, onde jogamos, mas vamos jogar para tentar ganhar e depois logo se vê o que falta para podermos ter a oportunidade de nos qualificarmos último jogo.

Como evoluiu a sua relação com o Luciano Spalletti ao longo dos anos?

A relação não é importante, mas entendo que em Itália e em Portugal esse tipo de histórias são mais importantes do que a realidade. O importante é a Liga dos Campeões, o Benfica e a Juventus. O Luciano disse algo muito lindo e com significado na conferência de imprensa de antevisão, disse que jogar contra o Benfica é como jogar contra um pedaço da história. Para nós é muito bonito e agradecemos muito essas palavras. Quando Benfica e Juventus se defrontam na Liga das Campeões, Mourinho contra Spalletti não é importante, ninguém tem interesse nisso. Penso que é público que tivemos uma briga. As picardias fazem parte do futebol, foi algo sem importância que aconteceu aqui. Fora do futebol, a relação é diferente. É um treinador que eu gosto muito e acho que esse é o aspeto mais importante.

— Enzo Barrenechea ou Manu Silva vão entrar no onze?

— A única coisa que vou dizer relativamente à equipa de amanhã é que o Bruma começa no banco. Até ele próprio já confessou que não está a 100%, não está em condições para jogar 90 minutos. Mas como ele diz, se precisar dele, vou contar com a sua experiência e vontade de ajudar. Aproveito para lhe dar os parabéns porque a recuperação é verdadeiramente muito boa. Lesionou-se à minha frente quando eu era treinador do Fenerbahçe [a 26 de julho de 2025], vi logo a dimensão da coisa e nunca pensei que pudesse voltar em janeiro. Fez um grande trabalho para recuperar e agora a única coisa que tem de fazer o que me prometeu há 10 ou 15 anos [[particular entre Galatasaray e Man. United, 2-5, em julho de 2016]], quando jogou contra mim, marcou e no fim do jogo disse-me 'Levas-me para uma equipa tua e vou marcar golos para ti'. Agora tem a oportunidade... Ganda golo pá.

— Spalletti disse que quando se fala em Mourinho, o volume do futebol sobe. O que espera do adversário?

Espero qualidade táctica e uma equipa com cultura. Não espero uma equipa expectante, mas sim que quer ser protagonista no jogo. Nunca conheci uma equipa do Spalletti sem bons jogadores. Na Roma tinha muita qualidade. Encontrei-o Nápoles quando regressei a Itália e agora está na Juve. Quando um treinador é bom e treina jogadores fortes, só se pode esperar qualidade. As equipas dele são muito bem treinadas e organizadas.Têm um futebol associativo, veloz. É um treinador muito bom.

— Não é um treinador muito querido pelos adeptos da Juventus. Que ambiente espera amanhã, ainda por cima sem adeptos do Benfica?

Já joguei aqui com o Inter, com a Roma e com oManchester United. Obviamente que jogar aqui com o Inter é diferente de tudo, e é daí que vem o nosso amor. Mas é fantástico jogar aqui. Também joguei contra eles no Estádio Olímpico, mas jogar aqui é ainda mais bonito. É um estádio moderno, com um ambiente fortíssimo.Os jogadores do Benfica sabem o que é ser jogador de equipa grande e com menos ou mais qualidade ou a experiência, quem veste a camisola do Benfica sabe que nestes jogos tem de dar a cara. A determinado momento, virei-me para trás no avião e pensava que era treinador da equipa B porque estão connosco 8 jogadores da equipa B. Isso reflete também as nossas dificuldades com tantas lesões que temos. Mas isto é Benfica. O nosso objetivo é chegar ao último jogo com esperanças matemáticos de nos podermos qualificar. Foi o que fizemos frente ao Ajax e Nápoles para podermos jogar estes dois jogos com a possibilidade de nos qualificar. O objetivo é sairmos amanhã com a qualificação aberta para o último jogo.

Quem veste a camisola do Benfica sabe que nestes jogos tem de dar a cara

—Quando descobriu que Spalletti seria treinador da Juventus ficou surpreendido?

— A única surpresa para mim é quando um treinador sem história, sem trabalho feito, tem a possibilidade de treinar os maiores clubes do mundo. Quando o Milan contrata o Allegri, quando a Juve contrata o Luciano, quando a Roma contrata Gasperini, não é uma surpresa porque estamos a falar de treinadores com experiência. Quando acontece o contrário é sim uma surpresa.

—Como antigo treinador do Inter, estaria disponível para treinar a Juventus um dia?

— Claro

— A última final europeia disputada por um clube português foi em Turim, há 12 anos. Como analisa esta seca?

— Isto está a acontecer porque, quer queiramos, quer não, no futebol a nível de clubes, a situação económica tem um impacto muito grande e obviamente que o poder económico está centrado em países que não Portugal e em clubes que não os portugueses. Se quiser uma opinião muito pessoal, acho que os três clubes grandes e não quero deixar o SC Braga de fora disto -, podem chegar a finais da Liga Europa. E pode ver que as últimas finais portuguesas nas competições europeias, com exceção de 2004, foram na Liga Europa. Considero como favoritas a chegar às meias-finais, a finais, ou vencer. Na Liga dos Campeões, obviamente que é muito mais complicado. Basta comparar os mercados que se fazem, para onde vão os jogadores mais importantes. Não erro se disser que uma equipa não vence uma Champions fora de Espanha, Inglaterra, Alemanha, o Bayern e o pobre PSG, desde o Inter e o FC Porto, comigo.

— A Juventus no último jogo dominou o Cagliari, mas perdeu. O que é que é mais importante: jogar bem ou ganhar?

— Se me perguntar se amanhã quero jogar bem ou ganhar, vou dizer-lhe que quero ganhar. Mas, normalmente, o que te dá mais possibilidades de ganhar é jogar bem. Depois, podemos perguntar o que significa jogar bem. É um tema que causa muito divertimento na opinião pública. Gente que nunca se sentou num banco de suplentes fala sobre isso. Mas o que é fundamental no final é ganhar o jogo. Entre jogar bem e perder e jogar mal e ganhar, claro que escolho o segundo. Mas não acho que seja possível jogar mal e ganhar. Não entendo muito esse conceito.

— O Benfica que jogou contra o Rio Ave é o que está mais perto daquele que que pretende para um futuro próximo?

O Benfica já vinha a fazer alguns bons jogos, já vinha no vosso conceito, a jogar bem há muitos jogos. Se forem ver os mapas de posicionamento do Sudakov, de quem falaram tanto, não varia muito de jogo para jogo, não variam muito dos jogos onde jogou mais como um 10 de referência ou mais a partir da ala esquerda. As suas áreas de ação são praticamente as mesmas. Nós procuramos uma identidade, de acordo com os jogadores que temos à nossa disposição, mas, com todo o respeito pelo Rio Ave, que é uma boa equipa, mas o Rio Ave é o Riva e a Juventus é a Juventus e por muito que possamos tentar fazer um jogo igual ao que fizemos contra o Rio Ave frente à Juventus, será seguramente muito difícil de conseguir.