Gattuso e o futebol sem adeptos: «É uma merda, mais vale ir passear o cão»
Apesar de um misto de orgulho e amargura após o empate a dois golos da Lazio frente ao Milan de Ruben Amorim, Gennaro Gattuso não escondeu a frustração com a quebra de rendimento da sua equipa, que permitiu a recuperação dos rossoneri de um 2-0 para um 2-2.
«Estávamos demasiado recuados e cometemos um erro, devíamos ter feito um bloco baixo e sofremos com isso», analisou o técnico da Lazio. «Na segunda parte, nunca conseguíamos roubar a bola. Quando começamos a perder brilho, tornamo-nos vulneráveis. Sofremos com a recuperação e a qualidade deles, e até tivemos sorte, porque depois de sofrer dois golos em dois minutos não perdemos a cabeça», acrescentou.
O empate impediu o treinador italiano de alcançar um feito inédito: se tivesse vencido o Milan, teria sido o único treinador a começar o campeonato com quatro vitórias. Ainda assim, os romanos protagonizaram o melhor arranque da sua história na Serie A, com três vitórias e um empate, liderando a prova à condição. Este início de época surge após um verão marcado por tensões.
«Houve dois jogos num só. A primeira parte foi de altíssimo nível, na segunda estivemos muito pouco no meio-campo deles. Sofremos, mas é mérito deles», concluiu sobre o jogo.
Antes do encontro, os adeptos da Lazio acompanharam a equipa desde o centro de treinos de Formello até ao estádio, mas optaram por não entrar no Olímpico. Gattuso comentou a ausência do público de forma contundente.
«O futebol sem adeptos é uma merda, é melhor ir passear o cão», desabafou, visivelmente emocionado com o apoio recebido. «Fiquei emocionado ao ver as pessoas que vieram, até os mais velhos. Se nos acompanharam é porque estão a ver que os jogadores vestem a camisola com orgulho.»
No final, ainda houve tempo para uma brincadeira sobre a sua condição física: «Dói-me o adutor, fiz uma distensão», disse em tom de piada. «Em comparação com quando eu jogava, durante os meinhos no treino, eu estava muitas vezes no meio. Errava frequentemente, agora raramente sou eu a ficar no centro.»