Real Madrid soube resolver na primeira parte
Muito mais do que uma exibição de sonho, o Santiago Bernabéu exigia ao Real Madrid uma vitória que fizesse esquecer o desaire frente ao Betis, em Sevilha, na última jornada. Mesmo assim, momentos houve em que os merengues vestiram fato de gala e com Vinícius. Mbappé e Bellingham tiveram momentos de pura magia, o que acaba por justificar o 4-1 final.
O filme do encontro começou a ser escrito bem cedo. Com uma pressão sufocante sobre a primeira fase de construção do Rayo, o Real Madrid cedo instalou a sua tenda no meio-campo adversário. Aos 14 minutos, a aceleração vertiginosa de Álvaro Carreras pela esquerda culminou numa grande penalidade incontestável praticada por Lejeune e chamado à responsabilidade, Kylian Mbappé não tremeu: remate seco, com frieza, a fazer funcionar o marcador e a descodificar a teia defensiva armada pelo adversário.
Sem tempo para que os visitantes digerissem o primeiro golpe, a avalancha blanca voltou a fazer-se sentir. Apenas três minutos volvidos, numa excelente combinação com o internacional português Bernardo Silva — impecável no transporte e na definição — foi o próprio Álvaro Carreras a aparecer em zonas adiantadas para rematar rasteiro, longe do alcance de Audero. O 2-0 assentava como uma luva ao domínio madridista, sustentado pela omnipresença de Federico Valverde na interceção e pela criatividade constante do trio atacante.
Antes do descanso, mais um momento de futebol de alto nível. Vinícius Júnior, diabólico sobre o corredor esquerdo, rompeu a defesa contrária com uma mudança de velocidade desconcertante e serviu Jude Bellingham. O prodigioso britânico, com a classe habitual, finalizou de primeira ao canto inferior, fixando um 3-0 ao intervalo que espelhava a distância abissal entre os dois conjuntos e já era garantia de vitória.
No reatamento, o Rayo Vallecano ainda ensaiou uma réplica e reduziu aos 51 minutos por Sergio Camello, aproveitando uma menor concentração da defensiva merengue. Contudo, o sobressalto foi puramente efémero. Thibaut Courtois travou qualquer tentativa de rebelião e, já em cima do apito final (90'), Mbappé bisou para fechar as contas em beleza com um gesto técnico soberbo.
Uma demonstração de força, classe e autoridade. O Real Madrid segue firme na perseguição ao topo da tabela, deixando a certeza de que quando a sua constelação decide brilhar em uníssono, o Santiago Bernabéu torna-se num palco demasiado pequeno para segurar tanto talento.