Antonelli a dois pontos da história: «Diziam que nem devia estar na F1...»
Após a marcante vitória de Kimi Antonelli em Austin, Toto Wolff não escondeu o orgulho pelo trajeto do jovem piloto italiano, que este domingo, no México, terá a oportunidade de lutar pela conquista do seu primeiro título mundial de Formula 1. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o diretor de equipa da Mercedes recordou os nove anos de trabalho desde a chegada do prodígio à academia de Brackley, com apenas 11 anos, até à sua estreia na categoria rainha aos 18, ocupando o lugar deixado vago por Lewis Hamilton.
O dirigente austríaco fez questão de sublinhar o investimento e a resiliência necessários para construir o sucesso do piloto, sobretudo após um ano difícil em 2025. «Houve muitas pessoas que no ano passado, após nove corridas consecutivas em que o Kimi não pontuou, diziam que ele não devia estar na Mercedes. Pessoas de outras equipas diziam que ele nem sequer devia estar na Formula 1», revelou Wolff, destacando o esforço coletivo por detrás da evolução do jovem talento.
«Li uma entrevista de Piero Ferrari a dizer que o talento dele lhe lembra Niki Lauda. As pessoas têm de pensar que este talento que vemos é o resultado de muitos anos de desenvolvimento, muitos sacrifícios, integração na equipa, trabalho com os engenheiros e de dez ou mais milhões de euros investidos no desenvolvimento da sua carreira, das suas capacidades e do seu carácter, juntamente com o enorme empenho dele e dos seus pais. Não foi algo que simplesmente aconteceu do nada», acrescentou o responsável da formação alemã.
Analisando a prestação no Grande Prémio dos Estados Unidos, Wolff considerou-a a melhor exibição de Antonelli até à data: «Partir com um composto inferior em relação a quem arrancava atrás dele, conseguir manter-se na frente e depois geri-la daquela forma foi incrível de ver. Foi a corrida de um campeão que ainda não é campeão, mas que já é excecional. O Kimi superou o rendimento do carro e as próprias limitações que tínhamos em pista.»
Entre os fatores determinantes para o seu crescimento desportivo esteve também o contexto técnico da categoria. «A mudança do regulamento técnico facilitou a sua tarefa, pois todos recomeçaram do zero, ao passo que no ano passado, quando chegou à Fórmula 1, viu-se na obrigação de gerir um carro que os outros já conheciam há várias épocas. Mas, no geral, penso que o Kimi mudou consideravelmente de mentalidade e encontrou a sua própria forma de fazer as coisas funcionar», foi destacado.
Um dos episódios mais marcantes dessa viragem psicológica ocorreu nos Estados Unidos, momentos antes de entrar em pista: «Antes da corrida de Austin e de ir equipar-se, veio ao meu gabinete, sentou-se no sofá e disse-me: 'Vou desfrutar e não estou minimamente a pensar no campeonato'. Respondi-lhe para se agarrar a essa atitude: tem o melhor trabalho do mundo e não se pode esquecer disso. Esta forma que tem de raciocinar e de viver as corridas é incrível: deu um grande passo em frente a nível mental este ano e estamos todos muito orgulhosos dele.»