«Ganhas três jogos, és o melhor; perdes, vais cair da Torre Eiffel»
Luis Enrique, que completou 56 anos na passada sexta-feira, falou aos jornalistas na véspera da receção ao Brest, agendada para este domingo. O encontro, que será o último da temporada no Parque dos Príncipes, pode selar o título para o PSG em caso de vitória. O técnico espanhol admitiu a necessidade de gerir o esforço dos seus jogadores, especialmente após a desgastante e emotiva qualificação para a final da UEFA Champions League, alcançada em Munique na quarta-feira.
Questionado sobre o seu futuro - tem contrato por mais um ano - e a relação com os adeptos, Luis Enrique foi claro: «Desde o primeiro dia, o apoio do presidente, do diretor desportivo e dos adeptos tem sido inequívoco». O treinador reconheceu a volatilidade da sua profissão, mas destacou o que mais o motiva. «A vida de um treinador é difícil: ganhas três jogos, és o melhor; perdes, e estás pronto para cair da Torre Eiffel. O que mais gosto na minha profissão é de fazer sonhar os adeptos. Falamos muitas vezes com os jogadores sobre a nossa capacidade de fazer as pessoas sonhar através do nosso trabalho.»
A gestão física do plantel foi um tema central, com o treinador a sublinhar a importância de um tratamento individualizado. Com lesões na coxa direita, Pacho e Nuno Mendes irão realizar tratamentos nos próximos dias, por exemplo. «O que procuramos fazer é sempre o melhor para os nossos jogadores individualmente. Às vezes, regressas de uma lesão, acabaste de fazer uma viagem muito longa... Cada caso é diferente», explicou, referindo-se a jogadores como Vitinha e Pacho. «Esta época, procurámos sobretudo gerir os nossos jogadores da melhor forma possível e penso que o fizemos muito bem».
Exemplos de Dembélé e Upamecano
Luis Enrique aproveitou ainda para destacar um momento de desportivismo após o jogo em Munique, protagonizado por Ousmane Dembélé e Upamecano, que foram rivais em campo mas cresceram juntos. «Gostaria de voltar a uma imagem de Ousmane Dembélé e Upamecano que se abraçaram após o jogo, mostrando ao futebol que não há vencedores nem vencidos. Eles mostraram que é importante saber perder. Tenho de sublinhar a atitude do 'senhor' Upamecano, e também a de Ousmane, que estava naturalmente um pouco mais feliz. É preciso mostrar aos jovens jogadores que é preciso saber perder».
Club rivals tonight. France teammates next month.
— DAZN Football (@DAZNFootball) May 6, 2026
You can almost hear Upamecano telling Dembélé: “Good luck in Budapest… see you in the USA next month.” 😂🇫🇷 #UCL pic.twitter.com/mJYPLzuoJc
O treinador do PSG também comentou o bom ambiente que se vive no balneário, atribuindo o mérito aos próprios jogadores. «Como treinador, nada. Isso depende da educação dos meus jogadores, do que eles assimilaram através das suas famílias. Os jogadores passam muito tempo juntos, chamam-se 'manos'... É um verdadeiro prazer viver isto e estar numa grande família como o PSG», disse, estendendo os elogios a todos os funcionários do clube.
Questionado sobre a gestão da condição física da equipa até à final contra o Arsenal, o técnico sublinhou a necessidade de equilibrar a competição com a prevenção de lesões.
«Ainda precisamos de três pontos no domingo e depois veremos que cenário seguir», afirmou, reconhecendo que a final da Liga dos Campeões é a prioridade máxima. Para estar preparado para esse jogo decisivo, é crucial acumular minutos em competição, mas o técnico alerta que «a competição também apresenta riscos».
A estratégia passa por uma análise cuidada para garantir que cada jogador chegue à final na melhor forma possível. «É preciso analisar o “Tetris” e ver de quantos minutos cada jogador necessita para chegar numa condição positiva», explicou.
Relativamente ao desgaste físico, o técnico desvalorizou a situação, atribuindo-a ao esforço recente. «É simplesmente a consequência do nível de intensidade que acabámos de enfrentar. Nada de grave», concluiu.