FIFA estuda nova 'amnistia' para cartões para o Mundial e 'lei Vinícius'
A FIFA prepara-se para aprovar uma alteração significativa nas regras de suspensão por acumulação de cartões amarelos para o Mundial 2026, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México. O objetivo é reduzir o risco de os jogadores falharem jogos cruciais da fase a eliminar.
Segundo avança o 'The Athletic', a proposta será discutida e votada esta terça-feira na reunião do Conselho da FIFA, em Vancouver. A principal novidade é a introdução de dois momentos de «amnistia», nos quais os cartões amarelos recebidos serão anulados: um no final da fase de grupos e outro após os quartos de final.
Esta medida surge como resposta ao novo formato da competição, que passará a contar com 48 equipas, em vez das habituais 32. O alargamento implica a adição de uma nova ronda a eliminar (os dezasseis avos de final), aumentando a probabilidade de as principais estrelas do futebol mundial falharem jogos decisivos por castigo.
Recorde-se que, nos Mundiais anteriores, os cartões amarelos só eram limpos após a conclusão dos quartos de final. Com as regras antigas, um jogador que visse dois cartões amarelos nos cinco jogos até essa fase ficaria automaticamente suspenso.
Com a nova regulamentação, um jogador só será suspenso se receber dois cartões amarelos nos três jogos da fase de grupos, ou se for admoestado em duas partidas distintas entre os dezasseis avos, os oitavos e os quartos de final.
O International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do futebol, realizará também uma reunião extraordinária para avaliar uma alteração que permitirá aos árbitros expulsar um jogador que cubra a boca para insultar um adversário em campo.
A proposta surgiu após o episódio que envolveu o avançado brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, e o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, num jogo da UEFA Champions League, em fevereiro. O jogador argentino foi acusado por Vini Jr. de o ter insultado com termos racistas após o golo marcado pelo jogador do Real Madrid na partida disputada em Lisboa, referente à primeira mão do play-off da principal competição europeia de clubes.
Prestianni tapou a boca com a camisola antes de se dirigir a Vini Jr., que procurou de imediato o árbitro, acusando o jogador do Benfica de lhe ter chamado “mono” (macaco em espanhol). Na semana passada, Prestianni foi punido pela UEFA com seis jogos de suspensão.
A FIFA quis que o tema fosse debatido numa reunião extraordinária para esta semana, coincidindo com o congresso, a tempo de eventuais alterações às regras poderem entrar em vigor já no Mundial.