FIA admite alterar regras para 2026 após queixas dos pilotos
Após os primeiros testes em pista com os monolugares da Fórmula 1 no Bahrein para a temporada de 2026, as reações dos pilotos às máquinas, criadas sob as novas regras técnicas, são mistas. O campeão mundial Lando Norris e George Russell expressaram-se positivamente, enquanto Max Verstappen, Fernando Alonso e Lewis Hamilton foram mais críticos.
O neerlandês da Red Bull chegou mesmo a afirmar que os pilotos com uma visão positiva caberiam numa pequena «tenda de campismo», enquanto os que têm objeções formam um grupo significativamente maior. Após esta observação, Norris também admitiu que, na sua opinião, esta não é a forma mais pura de corrida.
À semelhança dos responsáveis da Fórmula 1, a FIA também se resguarda de uma reação excessivamente forte. Segundo o diretor responsável pelos monolugares na FIA, Nicolas Tombazis, os novos regulamentos estão, em grande parte, corretos, embora esteja aberto a ouvir as queixas iniciais.
«Os carros são novos», apontou Tombazis nos testes no Bahrein. «No verão e outono do ano passado, muitas pessoas conduziram nos simuladores e expressaram enormes preocupações. Penso que os comentários em Barcelona e no Bahrein são certamente muito melhores do que o que as pessoas diziam com base no simulador. Mas ainda há alguns comentários, como os do Max.»
«Estamos totalmente cientes de que pode ser necessário fazer ajustes. Esta é uma discussão que temos tido abertamente com as equipas e os fabricantes de unidades de potência há muito tempo. E com os pilotos, claro. Por isso, penso que há formas de agirmos como desporto para fazer ajustes nas regras», disse ainda Tombazis, que quando questionado à questão sobre que ajustes estão a ser discutidos nos bastidores, respondeu: «Bem, potencialmente em algumas das regras relacionadas com a gestão da energia»,
Embora o órgão regulador queira esperar pelas primeiras corridas antes de apresentar propostas concretas, no paddock entende-se que o foco será principalmente na acumulação de energia. A FIA poderia, por exemplo, permitir que os pilotos recuperassem mais energia por volta.
Isto significaria que teriam também mais energia para usar e, consequentemente, esta não se esgotaria tão rapidamente nas retas, como explicou Verstappen. No entanto, isso também implicaria que nas curvas e ao reduzir para marchas mais baixas, poderia ser necessária uma gestão de energia mais rigorosa para recuperar essa potência adicional. Segundo a FIA, estes aspetos estão principalmente relacionados com o software e o modo de funcionamento da unidade de potência e, portanto, não têm grandes implicações para o hardware.
«Não haverá necessidade de alterar a própria unidade de potência», assegurou Nicolas Tombazis. «Será mais relacionado com a forma como se gere o sistema. É claro que, se for a um engenheiro de unidades de potência, ele dirá: ‘Bem, isso muda um pouco o ciclo de trabalho. E se eu soubesse, talvez tivesse feito isto um pouco diferente’ ou algo do género.»
«Acreditamos que não estamos numa má posição neste momento», acrescentou. «Mas se forem necessários alguns ajustes após estes comentários, vamos discuti-los coletivamente como desporto e fazer o que for preciso. Penso que, se considerarmos os comentários feitos em novembro, outubro ou no verão passado, estamos agora muito, muito melhor. Abordámos muitas das preocupações. Abordámos todas as preocupações? Não. Penso que há alguns tópicos que ainda estão em aberto.»
«Claro, é muito fácil dizer que se o motor de combustão interna fosse muito maior e o ERS muito menor, haveria menos destes problemas. E isso é verdade. Sabemos desde 2022 que a solução de potência 50/50 traz desafios. Isto não é novidade ou surpresa. Fizemos uma enorme quantidade de trabalho sobre a forma como esta energia é gerida. E penso que fizemos, na minha opinião, 90 por cento do trabalho para chegar a uma posição razoável. Pode haver alguns ajustes à medida que aprendemos mais sobre os carros, e estamos totalmente abertos a fazê-los.»
A FIA quer esperar, pelo menos, pelas primeiras corridas para ver qual é o cenário real. Nicolas Tombazis apelou aos fãs para não tirarem conclusões precipitadas e extremas após a próxima prova em Melbourne.
«Tomaremos a decisão que for melhor para o desporto. Isto é uma maratona, não um sprint. Espero, definitivamente, que na Austrália seja emocionante. Mas não creio que seja decisiva para tudo. Temos cinco anos pela frente e dispomos de ferramentas muito claras sobre como reagir.», concluiu o diretor pelos monolugares na federação internacional.