Froholdt, melhor jogador 
da Liga 2025/26 - Foto: Imago
Froholdt, melhor jogador da Liga 2025/26 - Foto: Imago

FC Porto, Sporting e Benfica: entre o rendimento e os milhões

'Mercado de valores' é o espaço de opinião em A BOLA de Diogo Luís, antigo jogador de futebol, economista e comentador

Quem me acompanha sabe que gosto de analisar o fenómeno do futebol dentro de duas dimensões que se cruzam cada vez mais: a desportiva e a financeira. Para os três grandes, os jogadores jovens podem representar simultaneamente rendimento desportivo e valor financeiro. A diferença está na capacidade de cada clube para os potenciar, manter e decidir o momento certo para os transformar em milhões.

No artigo de hoje vou analisar quais os jogadores dos plantéis de FC Porto, Sporting e Benfica que melhor simbolizam este binómio entre rendimento desportivo e valor financeiro.

FC Porto: o potencial em mãos

A estratégia dos clubes portugueses deveria passar sempre por dar espaço a jogadores jovens, da formação ou contratados, para serem potenciados a nível desportivo e, em consequência, tornarem-se também uma mais-valia financeira.

Se analisarmos o contexto do clube quando Villas-Boas assumiu a presidência, percebemos que a situação financeira era, e ainda é, muito complexa. Como tal, quem gere tem de definir uma estratégia que permita ao clube manter-se competitivo desportivamente e, em simultâneo, criar condições para melhorar financeiramente.

A revolução no plantel feita no último ano foi o caminho escolhido. Passou por ter mais jogadores jovens no plantel, capazes de se transformarem rapidamente em ativos financeiros determinantes para a vida do clube.

O FC Porto tem vários jogadores jovens que são titulares com frequência. Até aos 22 anos e já com muitos minutos de jogo, estão Alberto Costa, Martim Fernandes, Samu, William Gomes, Pietuszewski e Froholdt. Sem dúvida que os últimos quatro são os que podem valorizar-se mais.

Samu está a regressar, é avançado e, por norma, os avançados são os jogadores mais pretendidos. Tem o handicap de ter sido um investimento elevado, o que reduz o impacto de uma mais-valia. William Gomes e Pietuszewski jogam nas alas e trazem magia e agressividade. Pela idade que têm e pela evolução que têm vindo a demonstrar, podem ser figuras este ano e gerar um grande encaixe no futuro.

Para o fim deixo Froholdt, que foi o melhor jogador da Liga no último ano. É um médio com muita capacidade física e qualidade técnica. De todos, é o mais determinante na equipa do FC Porto. Já se valorizou muito e poderá continuar a crescer.

O FC Porto tem este potencial em mãos. Conforme as condições financeiras vão melhorando, o objetivo passará por aguentar o maior número de anos possível estes jogadores no plantel e tirar proveito da sua capacidade desportiva. A acrescentar a todos estes jovens jogadores, o FC Porto tem ainda Diogo Costa, que pode render muitos milhões em caso de necessidade e é uma enorme garantia desportiva.

Sporting: jovens à procura do estatuto

O mercado que o Sporting fez demonstrou ousadia, mas também um objetivo bem definido: tornar o plantel mais jovem, enquadrar os custos salariais dentro da realidade do clube e ter qualidade que possa encaixar na realidade financeira e desportiva.

Assim sendo, até aos 22 anos, destaco os jogadores que podem ser titulares: Fresneda, Debast, Ibrahima Ba, João Simões, Luís Guilherme, Irankunda, Doumbia e Flávio Gonçalves. Ao contrário do FC Porto, apenas Doumbia tem, nesta fase, o estatuto de titular indiscutível. Com a recente revolução implementada por Frederico Varandas e a sua equipa, todos os outros podem ter espaço de afirmação.

De todos estes e ao dia de hoje, destaco dois: Doumbia e Flávio Gonçalves.

Doumbia é um jogador físico, com qualidade técnica, que ainda é jovem e tem muito potencial de crescimento. Pode fazer parte da nova seleção italiana, o que lhe poderá trazer uma valorização acrescida. No Sporting tem o contexto perfeito para se poder assumir internamente e nas competições europeias.

Flávio Gonçalves é um jogador diferente. Destaca-se pela sua qualidade técnica, por ver as coisas primeiro que os outros e pela naturalidade com que se desloca no relvado. Não é um jogador físico, pelo contrário, mas fica na retina de quem gosta de futebol. Tem magia e sabe utilizá-la.

Para que possa crescer, será importante que Rui Borges não olhe a estatutos no momento de tomar decisões. Se assim o fizer, acredito que Flávio Gonçalves irá tornar-se uma peça muito importante no Sporting, tanto ao nível desportivo como financeiro.

Benfica: risco muito concentrado

De todos, o Benfica é o que tem menos jogadores com minutos dentro desta faixa etária. Há três em quem o Benfica pretende apostar: José Neto, Anísio e Banjaqui, apesar de me parecer que apenas o último poderá ter, este ano, o seu espaço para se afirmar. Além de Banjaqui, acrescento Circati, que vem com experiência da liga italiana. Echeverri e Gonçalo Moreira aparentam ter muito talento, mas não consigo percecionar o tempo de jogo que poderão ter.

Para o fim guardei dois jogadores que estão a ter uma enorme preponderância na equipa: Schjelderup e Prestianni. Com a chegada de Marco Silva, estes dois jogadores parecem ter o espaço e o contexto ideal para evoluírem. Sentem-se importantes na equipa e têm a confiança do treinador. A equipa tem um futebol dominador que vai ao encontro das caraterísticas dos dois jogadores.

Num ano em que o Benfica ficou de fora da Liga dos Campeões e em que não conseguiu, ou não se preocupou, em reduzir custos, o equilíbrio financeiro poderá passar por estes dois. O que tem acontecido nos últimos anos é que o Benfica aproveita os atletas jovens que se afirmam durante um ano e depois acaba por ter necessidade de os vender por uma questão financeira.

Ao contrário de FC Porto e Sporting, a margem de escolha do Benfica passa, neste momento, sobretudo por estes dois jogadores, com uma dificuldade adicional: o contrato de Schjelderup termina em 2028, o que faz com que a margem para gerir este processo esteja a diminuir.

A valorizar: Hugo Oliveira

Depois de dois anos de muita qualidade no Famalicão, Hugo Oliveira abraçou o projeto do Estrasburgo. Apesar da derrota expressiva na primeira jornada, conseguiu duas vitórias importantes, que lhe valeram a nomeação para melhor treinador da última jornada, e um empate frente ao candidato Mónaco. Olhando para trás o Famalicão parece ter muitas saudades…

A desvalorizar: 'France Football'

Deixar Diogo Costa fora dos 10 melhores guarda-redes do ano não faz sentido. Ainda menos faz quando olhamos para os nomeados. Com estas decisões a credibilidade destes prémios será cada vez mais colocada em causa.

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