Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: IMAGO

FC Porto: ambição no 'ponto ótimo' para o tira-teimas que pode repetir... Villas-Boas

Dragões têm o título nacional à mão de semear, mas Farioli quer equilíbrio entre pés bem assentes na terra e foco total na reviravolta contra o Sporting. Única derrota na 1.ª mão das 'meias' acabou por ir dar ao Jamor... em 2010/11

Entre os louvores dirigidos a Francesco Farioli nas recentes entrevistas que concedeu à Imprensa internacional, André Villas-Boas admitiu que encontra no trabalho italiano semelhanças com o percurso que ele próprio trilhou no FC Porto enquanto treinador, na época dourada de 2010/11. Pois bem: se o atual homem do leme azul e branco procura uma fonte de inspiração para o clássico de amanhã (20h45), com o Sporting, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, bem pode olhar para uma das várias façanhas que o agora presidente dos dragões logrou há 15 anos, a partir do banco. Falamos da reviravolta alcançada na eliminatória com o Benfica, que garantiu a vaga aos portistas no Jamor... depois de uma derrota na primeira mão.

Vamos por partes nesta viagem no tempo. A 20 de abril de 2011, o FC Porto deslocou-se ao Estádio da Luz com uma desvantagem de dois golos — as águias venceram por 2-0 no primeiro round, no Dragão —, mas protagonizou uma reviravolta épica no reduto encarnado, vencendo por 3-1, com golos João Moutinho, Hulk e Falcao. Óscar Cardozo ainda reduziu, mas a equipa orientada por Villas-Boas estava na mó de cima e tirou proveito da regra dos golos marcados fora de casa.

Ora, até à temporada em curso, essa tinha sido a única vez em que os azuis e brancos perderam a primeira mão das meias na era moderna da chamada prova-rainha. No início de março, o FC Porto perdeu por 1-0 na visita ao Estádio José Alvalade, tendo agora a missão de inverter esse resultado para carimbar o regresso ao Estádio Nacional e defrontar, a 24 de maio, o vencedor da eliminatória entre Fafe e Torreense — houve empate (1-1) na primeira mão.

De resto, desde 2008/09, a época em que foi (re)implementado o formato das meias-finais a duas mãos, o FC Porto atingiu essa fase em 12 ocasiões, avançando para o Jamor nove vezes. Numa delas (2021/22), deixou o Sporting pelo caminho, com dois triunfos, mas também já tombou diante do rival leonino, em 2017/18, ao perder no desempate por grandes penalidades na capital.

Em simultâneo, o embate de amanhã, no anfiteatro azul e branco, será uma espécia de tira-teimas entre Farioli e Rui Borges na presente época: nos três duelos anteriores de 2025/26, o FC Porto venceu um — 2-1 em Alvalade, na 4.ª jornada da Liga —, o Sporting venceu outro — o da Taça — e, na segunda volta do campeonato, no Dragão, houve empate (1-1). Nos 90 minutos, 120 ou nas grandes penalidades, o clássico que se segue vai desempatar o saldo...

Crença total... sem euforias

Com pouco tempo entre jogos (apenas dois dias...) para trabalhar a parte tática e física, Francesco Farioli procura, entre ontem e hoje, encontrar o ponto ótimo de ambição para enfrentar este duelo com o Sporting. A conjugação de resultados do fim de semana deixou o FC Porto com uma mão no troféu de campeão nacional, mas o treinador transalpino rejeita euforias antecipadas, algo que deixou bem patente no discurso assumido logo após a vitória (2-0) de sábado sobre o Tondela.

A mensagem transmitida ao plantel centra-se, sabe A BOLA, na necessidade de manter os pés bem assentes na terra, sem abdicar, ainda assim, da confiança indispensável à intenção de levar de vencida o grande rival da temporada e carimbar a presença no Jamor, mantendo bem vivo o sonho da dobradinha. Internamente, esse fogo já arde bem vivo no seio da equipa portista, apostada em brindar o universo azul e branco com uma noite épica no Estádio do Dragão. E logo com uma motivação extra: após cinco jogos consecutivos a sofrer golos, Diogo Costa pôs trancas à porta ante o Tondela. Um fator que também se adivinha preponderante no clássico de amanhã.