Fato de mergulho e boia: 'Ingrid'(ientes) da salvação (crónica)
As Piscinas Municipais de Rio Maior? São ali ao lado, talvez a meros 50 metros de distância.
A noite era de futebol e não de natação, mas se lhe dissermos que a realização do encontro chegou mesmo a estar em risco, estamos conversados quanto à intempérie que se abateu sobre o recinto ribatejano. A depressão Ingrid fez-se sentir de tal forma que Ricardo Baixinho, árbitro da partida, teve mesmo de interromper o desafio poucos segundos depois do pontapé de saída. Nesse momento, os jogadores de ambas as equipas regressaram aos balneários, mas num ápice estavam de volta ao tapete verde do anfiteatro riomaiorense para que pudesse, finalmente, ser jogada a partida de abertura da 19.ª jornada da Liga.
Era uma autêntica final para gansos e avenses, tamanha a necessidade que os dois conjuntos tinham (e continuam a ter, logicamente) de somar pontos para fugirem aos lugares (altamente) perigosos da tabela classificativa.
O Casa Pia ainda não tinha ganho em casa, o Aves SAD ainda não somara qualquer triunfo na presente edição da Liga. E tudo continuou... igual: 3-3.
Em bom português, costuma dizer-se que quem vai para o mar avia-se em terra. Pois bem, os gansos foram os primeiros a dar mostras de terem a lição bem estudada e adaptaram-se rapidamente ao autêntico dilúvio que se fazia sentir em Rio Maior. Logo aos 6 minutos, David Sousa integrou-se no processo ofensivo e teve cabeça para inaugurar o marcador, após cruzamento de Rafael Brito.
A (des)vantagem fez bem... aos forasteiros. O conjunto nortenho foi para cima do adversário, mas uma soberba estirada de Patrick Sequeira impediu que Óscar Perea fizesse o empate (15'). O jovem extremo colombiano tentou sempre remar contra a maré, mas nunca conseguiu os seus intentos. Tal como Roni (30') e Carlos Ponck (36'). Do outro lado, Tiago Morais podia ter aumentado para os da casa, mas Adriel brilhou entre os postes (40').
A etapa complementar começou como tinha começado... a primeira: com golo do Casa Pia. Cruzamento de Livolant e remate certeiro de Larrazabal. O extremo francês, de resto, também ofereceu o 3-0 ao recém-entrado Korede Osundina.
Tudo decidido? Negativo. A formação de João Henriques — que foi expulso por protestos (?) — tinha fato de mergulho e boia para a salvação: Nenê entrou para bisar (ambos de penálti, o primeiro após intervenção do VAR), Guilherme Neiva teve alma até Almeida e selou o empate no último suspiro.
Ninguém sorriu, mas talvez possa valer o clique na Vila das Aves...
As notas do Casa Pia:
Patrick Sequeira (7), João Goulart (5), Khaly (5), David Sousa (6), Larrazabal (7), Rafael Brito (6), Renato Nhaga (6), Abdu Conté (5), Tiago Morais (5), Cassiano (5), Jérémy Livolant (7), Korede Osundina (6), Lawrence Ofori (5), Kevin Prieto (-) e Iyad Mohamed (-).
As notas dos jogadores do Aves SAD:
Adriel (6), Gustavo Mendonça (5), Carlos Ponck (6), Rúben Semedo (5), Kiki Afonso (5), Ángel Algobia (5), Roni (6), Babatunde Akinsola (5), Pedro Lima (6), Óscar Perea (6), Tomané (6), Leonardo Rivas (6), Diego Duarte (6), Guilherme Neiva (7) e Nenê (8).
Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia):
A equipa teve uma boa abordagem, mas talvez nos faltasse mais qualidade na saída durante a primeira parte. Acabámos por chegar ao 3-0, mas depois é difícil de explicar. A equipa desligou-se um bocado. Mas o resultado acaba por ser injusto.
João Henriques (treinador do Aves SAD):
Merecíamos ter ido para o intervalo em vantagem. O segundo golo surge no lance duvidoso e o terceiro numa escorregadela. Mas a equipa reagiu muito bem, deu tudo e acabou por chegar ao empate. Apenas uma equipa esteve abaixo, a de arbitragem.