Evenepoel: «Há muito que um belga não ganhava no dia da Bélgica. Estou orgulhoso!»
«Ouvi esta manhã que já há muito tempo que um belga não ganhava a 21 de julho. Estou orgulhoso por ser eu a quebrar esse jejum», afirmou Remco Evenepoel (Red Bull), que, como era esperado, dominou o contrarrelógio de 26,1 km entre Évian-les-Bains e Thonon-les-Bains que compunha a 16.ª etapa. O belga reduziu a desvantagem face ao camisola amarela Tadej Pogacar (Emirates), que procura a quinta vitória no Tour, para 4.32 m, com o mexicano Isaac Del Toro (UAE Team Emirates) a manter-se em 3.º lugar, a 6.51 m do líder.
Depois do sensacional triunfo, no domingo, face a Pogacar, nos metros finais da 15.ª etapa no alto do Plateau de Solaison, esta terça-feira Evenepoel somou a segunda vitória consecutiva na 113.ª edição da Volta a França, deixando uma vez mais o esloveno na segunda posição. Tricampeão mundial da especialidade e olímpico em Paris-2024, Remco foi o mais rápido ao registar 32.19 m, superando Pogacar por 28 segundos, com o dinamarquês Mattias Skjelmose (Lidl-Trek) a ser terceiro, a 1.04 m.
A última vez que um belga havia conquistado uma etapa no Tour a 21 de julho, dia nacional da Bélgica, fora há 41 anos, em 1985, quando Rudy Matthijs venceu nos Campos Elísios, em Paris. Agora, a coincidência, sempre procurada pelos ciclistas daquele país, aconteceu pela nona vez. Essa era uma motivação extra para Evenepoel, que com este êxito soma quatro vitórias em etapas na carreira no Tour, mas três são em contrarrelógio. Mas havia outra. «Além disso, toda a minha família estava aqui: a minha mulher, os meus pais, a família da minha mulher...», revelou.
Remco Evenepoel contou também que se sentiu em excelente condição física desde a partida, comparando as sensações às que teve do Mundial de Kigali-2025, onde levou o ouro no crono, superando Pogacar, e uma prata na prova de estrada. «Senti-me muito bem. Nos primeiros quilómetros estava a debitar valores de potência que me fizeram pensar: tenho de me conter um pouco. Fez-me lembrar o Mundial no Ruanda, onde também abri logo uma grande vantagem», recordou.
«É fantástico ter esta forma precisamente no Tour», afirmou, admitindo que a condição física tem vindo a melhorar. «Não é segredo que o ponto crucial deste Tour está na última semana. Na primeira ainda não estava superbem e tive de encontrar o meu ritmo», reforçou, reconhecendo contudo que isso não significa que seja capaz de retirar Pogacar do topo, até pela maneira como este também se portou na etapa.
«O Tadej está a caminho da sua quinta vitória final. Já é maravilhoso poder aproximar-me dele. É uma honra poder correr ao lado daquele que é, talvez, o melhor ciclista de todos os tempos. Posso aprender muito com ele», elogiou o belga.
A festa da Red Bull só não foi mais intensa porque o alemão Florian Lipowitz, que partiu para a tirada no quinto posto da geral e foi terceiro na edição anterior do Tour, teve de abandonar após sofrer uma queda nos metros finais do contrarrelógio. «Ainda assim, esta vitória tem um sabor agridoce por causa da queda do Lipo. Espero que não seja grave, desejo-lhe o melhor. Vou sentir a falta dele na última semana», finalizou Evenepoel.
Com o abandono de Lipowitz, Juan Ayuso (Lidl-Trek) subiu ao 5.º lugar, estando agora a 9.22 m, pois o dia do espanhol não lhe correu totalmente de feição e passou a ter o colega de equipa Skjelmose logo atrás, a 52 s.
Já Pogacar, mesmo mantendo uma confortável vantagem face ao belga e à restante concorrência, queria ter dado mais no contrarrelógio, ainda que tenha estado perto de cair precisamente na mesma curva que havia sido fatal para Lipowitz: «Claro que queria lutar pela vitória, mas o Remco é campeão olímpico e mundial de contrarrelógio. Chapeau para ele. Fiquei um pouco desiludido, porque no topo da subida estava a 15 s do Remco. Depois disso, pensei: não vou correr riscos até à meta.»
Amanhã, a 17.ª etapa conta com um percurso de 174,7 km entre Chambéry e Voiron, que representa a última grande oportunidade para os sprinters puros brilharem antes da tirada final nos Campos Elísios, em Paris, no domingo.
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