Evenepoel: «Fui criticado, diziam que não sabia trepar. Estou a tremer de emoção»
Não fosse a jornada ter ficado tristemente marcada pela desistência do dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma) devido a uma queda a cerca de 20 km da meta, que nem lhe permitiu pensar em voltar a agarrar na bicicleta para continuar, Remco Evenepoel (Red Bull) seria, certamente, o único grande protagonista da principal notícia da 15.ª etapa da 113.ª Volta a França.
Num final intenso, com um duelo entusiasmante até à linha de chegada onde o camisola amarela Tadej Pogacar (Emirates) não conseguiu igualar o ritmo imposto pelo belga nos últimos 30 metros — ficou logo atrás, com Isaac Del Toro (Emirates) em 3.º lugar, a 6s —, Evenepoel cumpriu o trajeto de 183,9 km entre Champagnole e Plateau de Solaison em 4.23,09 h para conquistar, pela terceira vez na carreira, uma tirada do Tour.
A diferença face a 2024 (quando terminou a prova com a camisola branca vestida) e a 2025 é que agora, aos 26 anos, o triunfo surgiu numa etapa em linha. E, ainda por cima, ao sprint e a subir, após uma exibição extraordinária na escalada para o Plateau de Solaison numa luta a três. Nas outras duas ocasiões, o bicampeão olímpico dos Jogos de Paris-2024 (estrada e contrarrelógio) havia ganho sempre num crono individual.
Com este resultado e o abandono de Vingegaard, Remco sobe a 2.º lugar da geral (+5.00 m) atrás do líder Pogacar (55:41.31 h) e reforça as ambições de pódio em Paris. Até porque, depois de nesta segunda-feira se cumprir o segundo e último dia de descanso, na terça-feira a 16.ª etapa será um contrarrelógio de 26,1 km entre Évian-les-Bains e Thonon-les-Bains, bem à sua medida.
Após cortar a meta, ainda em cima da bicicleta, Evenepoel emocionou-se e não conseguiu segurar as lágrimas. Desabafou: «Estou aqui a tremer de emoção. Tive uma primavera difícil, recebi críticas de todo o lado. Diziam que eu não sabia trepar e tudo o mais… Mas hoje não pode haver uma única palavra negativa, não o mereceria. Isto é a prova de que dei um passo em frente e que posso acreditar em mim.»
«É a primeira vez que ganho uma etapa de montanha a partir do grupo da frente. Não é fácil vencer tipos como o Tadej e o Jonas nas montanhas, por isso, quando a oportunidade surge, temos de a agarrar com as duas mãos. Foi o que fiz. Acho que também mereço isto», foi contando o homem da Red Bull que, depois da queda de Vingegaard numa rotunda — onde Del Toro também foi ao chão —, aguentou o ataque de Pogacar aos homens em fuga.
A pouco e pouco, Pidcock, Simmons, Van Wilder, Voisard, Rubio, Yates, Schmid e Costiou foram ultrapassados, e Evenepoel foi o único a aguentar o ritmo intenso do esloveno tetravencedor do Tour, que pareceu querer dar a vitória ao mexicano Del Toro.
Quanto ao abandono de Vingegaard, Evenepoel referiu: «Uma queda estúpida, não se deseja a ninguém. É uma pena para a corrida. Mas, depois desse incidente, temos de reorientar o foco e tirar o máximo proveito. É isso que tenho de tentar manter na última semana. Ainda não acabou.»
Mais tarde, a Visma confirmou que Vingegaard, duas vezes vencedor do Tour (2022 e 2023) e 2.º em três ocasiões atrás de Pogacar (2021, 2024 e 2025), fraturou a clavícula e terá de ser operado. «O Jonas sofreu uma fratura da clavícula e múltiplas escoriações. Devido à gravidade da lesão, uma intervenção cirúrgica foi recomendada e será realizada nos próximos dias».