Vingegaard após o abandono do Tour: «Não vale a pena andar de cabeça baixa»
Jonas Vingegaard (Visma-Lease a bike) reagiu com serenidade ao abandono forçado da Volta a França, afirmando que «não vale a pena andar de cabeça baixa» e que, surpreendentemente, as coisas estão a «correr bem». O dinamarquês, que era segundo na geral desta edição e, apesar da vantagem confortável de Tadej Pogacar (Emirates), ambicionava chegar ao tri (2022 e 2023) na prova, sofreu uma queda na 15.ª etapa, este domingo, ao derrapar numa curva à direita, o que resultou numa clavícula partida que obrigará a intervenção cirúrgica.
Após o acidente, Vingegaard foi transportado na ambulância da corrida até à unidade médica móvel, localizada perto do autocarro da equipa em Vougy. Permaneceu lá dentro durante mais de meia hora e, inicialmente, evitou falar com os jornalistas, dirigindo-se diretamente para um carro da Visma que o levou ao hotel. No entanto, mais tarde, concedeu uma entrevista ao canal de televisão dinamarquês TV2.
«Está a correr surpreendentemente bem. É claro que é muito dececionante para nós terminar assim, e para o Tour acabar desta forma. Mas o ciclismo é mesmo assim. Felizmente, é apenas uma clavícula partida», começou por referir o duas vezes campeão olímpico em Paros-2024.
O ciclista não escondeu a frustração, mas já pensa no futuro da equipa na prova. «É uma pena enorme. Estamos desapontados, e só espero que os rapazes se consigam focar na próxima semana e, com sorte, ganhar uma ou duas etapas», acrescentou.
Jonas revelou que a prioridade após o incidente foi contactar a família. «Falei um pouco com a minha família. Isso era o mais importante para mim. Traçámos um plano para o que vai acontecer agora, e falei com alguns elementos da equipa. Não vale a pena andar de cabeça baixa. Só piora as coisas.»
Sobre a queda, que ocorreu a 21 km da meta, na aproximação à subida final, o dinamarquês explicou a sua perspetiva. A Visma liderava o pelotão e ele seguia em quarto lugar. «Talvez tenhamos entrado na rotunda um pouco depressa demais, e a minha roda da frente simplesmente derrapou. Não posso fazer nada», lamentou. «Às vezes, as corridas de ciclismo são assim. É simplesmente super irritante para nós, para ser honesto.»
Marc Reef, diretor da equipa, levantou questões sobre a segurança no momento do acidente, referindo que a mota que seguia à frente do pelotão estava a «entrar em pânico» e a travar, sugerindo também que o percurso contribuiu para uma «situação estranha». Vingegaard, por sua vez, desresponsabilizou o motociclista: «Talvez a mota tenha cometido um erro, mas não podemos confiar nas motas. Temos de ter o nosso próprio discernimento. As pessoas cometem erros, e não podemos mudar isso agora.»
O ciclista abordou ainda a especulação levantada pelo líder da corrida, Tadej Pogacar, sobre se um controlo antidoping a que foi submetido às duas da manhã poderia ter afetado a sua concentração. «É claro que não ajudou em nada, pode-se dizer. Se essa é a razão, não me atrevo a especular. Pode ter tido alguma influência. Não sei dizer», respondeu, concluindo: «Não quero culpar isso, porque é uma corrida de ciclismo, e as quedas acontecem nas corridas de ciclismo. Por isso, não me atrevo a responder a isso.»
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