Filippo Ganna, Remco Evenepoel e Paul Seixas no pódio do Mundial       Fotografia Imago
Filippo Ganna, Remco Evenepoel e Paul Seixas no pódio do Mundial Fotografia Imago
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Evenepoel e Ganna: sorrisos no pódio, guerra de palavras nos bastidores do crono no Mundial

Tretra campeão mundial belga e o vice italiano cumprimentaram-se depois da prova de contrarrelógio no Mundial de Montreal, mas após após receberem as medalhas entrara em completa divergência e Remco não deixou de lançar umas farpas às justificações de Filippo

O belga Remco Evenepoel, de 26 anos, conquistou, no domingo, o seu quarto título consecutivo de contrarrelógio nos Campeonatos do Mundo de Estrada Montreal-2026, mas, ainda que tenha realizado uma proeza inédita, o que também surpreendeu não foi a sua vitória do favorito, mas a margem esmagadora de 57 segundos que conseguiu impor sobre o rival italiano Filippo Ganna, segundo classificado no Canadá, seguido pelo Francês Paul Seixas (+1.13,04m), e com o americano Brandon McNulty (+1.25,27) e o sueco Jakob Soderqvist (+1.26,18) a fecharem o top-5.

A diferença alcançada pelo tetra campeão foi notável, considerando que nos confrontos diretos anteriores, em 2023 e 2024, as margens tinham sido de apenas 12 e 6 segundos, respetivamente. Ganna, por sua vez, mostrou-se desmoralizado, afirmando ter alcançado os melhores números de potência da carreira durante o esforço de 45 minutos ao longo de 39,2 km.

Tetra campeão Remco Evenepoel Fotografia Imago

O italiano aproveitou para criticar as condições do percurso, que, fora do circuito de Fórmula 1 e da ciclovia, estava repleto de buracos e asfalto irregular. «Penso que um Campeonato do Mundo merece o melhor asfalto, especialmente no início», comentou Ganna, acrescentando: «O asfalto era o mesmo para todos, por isso talvez um asfalto novo fosse bom para todos».

Apesar de um momento de cordialidade antes do pódio, onde Evenepoel desejou sorte a Ganna para a prova de estafeta mista, o belga não tardou a questionar as alegações do italiano sobre a sua potência.

Filippo Ganna e Remco Evenepoel Fotografia Imago

«Ele diz sempre que tem a sua melhor potência quando fica em segundo ou quando ganha. Penso que é difícil dizer isso nesta prova, porque obviamente havia muitas curvas, o que divide bastante a potência média e a potência normalizada», afirmou Remco, que completou o percurso à velocidade média de 52,400 km/hora, passando em primeiro em todos os pontos intermédios.

Mas, o campeão mundial foi mais longe na análise: «Pessoalmente, senti que estava a debitar uma potência muito boa nas zonas planas. Penso que se ele tivesse realmente feito o seu melhor esforço de 45 minutos, teria ficado um pouco mais perto, suponho eu».

Remco Evenepoel atribuiu grande parte da sua vantagem à melhoria na abordagem às curvas, um ponto onde Ganna costumava ganhar-lhe tempo. «No passado, ele ganhava muito tempo em cima de mim, mas acho que melhorei muito a curvar, tanto na bicicleta de contrarrelógio como na de estrada. A confiança também ajuda muito a ousar forçar nas curvas», explicou.

Remco Evenepoel Fotografia Imago

A superioridade técnica do belga ficou evidente nos resultados parciais. Nos primeiros 10,7 km, com 18 curvas, Evenepoel ganhou quase 23s a Ganna. Na secção seguinte, com várias curvas de 180 graus, a diferença aumentou em mais 18s. No total, foram 41 segundos de vantagem só nos primeiros 21,9 km.

O risco de atacar nas curvas era real, como demonstrou a queda do sueco Jakob Soderqvist, que seguia em posição de pódio até cair numa delas. O próprio Evenepoel conhece bem os perigos, tendo sofrido uma grave queda em 2020 na Il Lombardia.

Ganna, por seu lado, procurou outras explicações para a derrota, mencionando o material e a sua posição na bicicleta. «Pode ter sido o material, pode ter sido a minha posição, talvez simplesmente não tenha sido uma bala como ele», admitiu. O italiano revelou que não realizou testes em túnel de vento desde fevereiro, por falta de disponibilidade.

Filippo Ganna Fotografia Imago

O ciclista da Ineos apontou também para uma longa e desgastante temporada, que começou em janeiro. «Penso que mantive a minha forma a 90 por cento durante toda a época, tento ganhar talvez todos os meses. Se pensarmos no Algarve, Tirreno, nas Clássicas, no Giro, até aqui, tento ganhar sempre. Se não ganho, fico em segundo», desabafou.

Em contraste, Evenepoel fez uma pausa de 69 dias antes do Tour de France e tem trabalhado de perto com a Specialized no desenvolvimento da sua nova bicicleta, a Shiv, um processo que continuará até ao Chrono des Nations.

Confrontado com o desânimo do rival, Evenepoel foi pragmático: «Compreendo que ele tenha perdido a esperança. Eu nunca desistiria, porque tudo pode mudar. Vou sempre lutar nos contrarrelógios e, para o ano, vou certamente tentar o quinto título». Remco admitiu ainda que tentar bater o Recorde da Hora é uma possibilidade futura, embora, para já, as prioridades sejam outras, como as Grandes Voltas e a prova de fundo do próximo domingo.

O belga confirmou também a presença no Chrono des Nations, descrevendo-a como a «principal razão» para a sua participação. «No que diz respeito ao Recorde da Hora, ainda não pensei muito bem no que fazer, mas é claro que um dia poderei tentar», afirmou Evenepoel.

Apesar de reconhecer ter as qualidades necessárias para o feito, o ciclista sublinhou que tem outras metas em mente. «Acho que tenho as qualidades para ir atrás desse recorde, mas penso que, antes de tudo isso, ainda tenho muitos outros objetivos com as Grandes Voltas, com o próximo domingo [a prova de fundo de elite], por isso há muitos mais objetivos do que o Recorde da Hora», concluiu.

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