Remco Evenepoel tetracampeão mundial de contrarrelógio
Remco Evenepoel (44.53,13m) conquistou, este domingo, no Canadá, de forma categórica, o seu quarto título mundial de contrarrelógio consecutivo, tornando-se no primeiro ciclista da história a alcançar tal feito.
Aos 26 anos, o belga dominou totalmente a prova de 39,2 km em Montréal, afirmando que a vitória era a sua «grande motivação». Completou o percurso à velocidade média de 52,400 km/hora, passando em primeiro em todos os pontos intermédios.
Numa exibição que roçou a perfeição, cumpriu as expectativas e sagrou-se tetracampeão na disciplina. «É fantástico ser o primeiro ciclista a conseguir isto», declarou logo após cruzar a meta. «Queria vencer aqui e essa foi a grande motivação», referiu ainda Remco, que repartiu o pódio com o italiano Filippo Ganna (+57,31s) e o Francês Paul Seixas (+1.13,04m). O americano Brandon McNulty (+1.25,27) e o sueco Jakob Soderqvist (+1.26,18) fecharam o top-5.
O português Nélson Oliveira terminou no 20.º lugar, ficando a 2.23m de Evenepoel, com Ivo Oliveira a ser 21.º, a 2.28m. Nélson, que contabiliza seis posições de Top-10 no crono em Mundiais ao longo da carreira e foi vice-campeão mundial de sub-23 em 2009, foi o primeiro luso a entrar em ação e demonstrou um bom arranque. No segundo ponto intermédio registava o segundo melhor tempo. Ao cruzar a linha de meta era, provisoriamente, segundo, a apenas 12s do então líder, Jasha Sutterlin.
Remco Evenepoel fez questão de agradecer à equipa e patrocinadores pelo apoio. «Tenho de agradecer novamente a toda a equipa que me rodeia por toda a preparação. E também à Specialized pelo novo material que desenvolvemos em conjunto», referiu. Já Sobre a prova, mostrou-se satisfeito com o desempenho num percurso exigente. «Fiquei contente com as boas sensações, mesmo nas curvas. O percurso era desafiador, com um início e um final técnicos e uma longa secção de potência a meio».
A estratégia de ritmo do belga foi crucial, apesar de um pequeno susto inicial. «Sabia que tinha uma vantagem, mas no primeiro ponto intermédio oficial pensei que talvez tivesse acelerado um pouco demais. Mas consegui continuar a forçar. A sensação foi maravilhosa, fantástica», explicou, considerando a vitória «um começo bastante bom» para o seu Campeonato do Mundo.
Posteriormente, já com a camisola arco-íris vestida, o belga admitiu que esta vitória teve um sabor diferente da do ano anterior. «Este foi um percurso com um pouco mais de adversários. Havia uma motivação extra para manter a camisola e agora estou supersatisfeito», confessou. Embora a possibilidade de fazer história fosse discutida no seu círculo mais próximo, o foco esteve sempre na corrida. «A intenção hoje era focar-me na corrida e ir de ponto intermédio em ponto intermédio. Correu tudo na perfeição. Fui aumentando a vantagem em cada ponto e esse era o objetivo».
Confrontado com a sua própria afirmação de que este teria sido o seu «melhor contrarrelógio de sempre», Evenepoel reagiu com surpresa. «Upa, isso espalhou-se depressa», brincou. «Mas acho que sim. É sempre difícil dizer. Em termos de valores, provavelmente já fiz contrarrelógios melhores, mas este foi longo e com muitas mudanças de ritmo. Globalmente, a nível técnico e de resistência, foi um dos meus melhores de sempre».
Quanto ao futuro imediato, o foco vira-se agora para a prova de fundo do próximo domingo, mas não sem antes celebrar. «Primeiro, vou respirar fundo e desfrutar desta vitória especial. Depois, mudo o foco», disse. A celebração está prometida por Klaas Lodewyck e contará com a presença da sua família. «A partir de terça-feira, o foco será total».