Rui Borges representou o Alverca entre 1998 e 2002 - Foto: A BOLA
Rui Borges representou o Alverca entre 1998 e 2002 - Foto: A BOLA

Rui Borges dá receita para Alverca adiar título do FC Porto

Ribatejanos nunca venceram os azuis e brancos, mas foram osso duro de roer. Antigo médio recorda «quatro anos fantásticos», elogia temporada rubricada pelos comandados de Custódio e destaca responsabilidade adicional do FC Porto no sábado

O FC Porto é um obstáculo que o Alverca nunca ultrapassou totalmente. Os ribatejanos não venceram nenhum dos 11 jogos que já disputaram contra os dragões e empataram apenas três.

A história, ainda assim, deixa um rasto de esperança para a visita ao Estádio do Dragão, no sábado. Os ribatejanos empataram dois dos cinco jogos que já disputaram no terreno do FC Porto.

Rui Borges e Cajú figuraram nos onzes dos ribatejanos nos empates a zero alcançados a 28 de agosto de 1999, sob o comando de José Romão, e a 16 de março de 2002, com Vítor Manuel ao leme. O médio luso permanece como o segundo jogador com mais partidas disputadas ao serviço do Alverca na Liga: 119 entre 1998/99 e 2001/02.

O atual diretor desportivo do ZED FC, do Egito, recordou «quatro anos fantásticos» e «muito importantes» para cimentar estatuto de «jogador de Liga» em Alverca, em conversa com A BOLA. Rui Borges recuou até 1999/2000, a melhor época de sempre dos ribatejanos na Liga, para destacar o estofo do Alverca contra Benfica, Sporting e FC Porto.

«Nesse ano em jogos contra equipas grandes só perdemos com o Benfica no antigo Estádio da Luz [2-3]. Empatámos os dois jogos com o FC Porto, ganhámos em casa ao Sporting e empatámos fora. Com os grandes conseguíamos sempre agigantar-nos», realçou.

Rui Borges e Esquerdinha, em 1999 - Foto: A BOLA

José Romão liderou os ribatejanos até ao 11.º lugar e deixou a receita para conter adversários de maior poderio: «Ele dizia 'Os primeiros 25 minutos vão ser de sacrifício. Depois aguentamos mais os primeiros 15 minutos da segunda parte, os adeptos deles vão começar a assobiar, eles fazem substituições e com um bocadinho de sorte ainda ganhamos'.»

José Romão ao serviço do Alverca - Foto: A BOLA

Rui Borges aborda com realismo os confrontos entre equipas com objetivos e orçamentos bem diferente em que «quem vai ter mais bola é sempre o grande». «Defender bem», aproveitar o espaço e ter «alguma sorte» são chaves que podem abrir a porta da história.

Cândido Costa e Torrão, em 2002 - Foto: ASF

O Alverca nunca sofreu golos nas duas vezes em que empatou no terreno do FC Porto. Rui Borges frisou que nem Mário Jardel conseguiu bater Paulo Santos em 1999: «Jogar contra o Jardel que marcava mais de 30 golos por época e conseguir ter a baliza a zero não é fácil»,

Além da estratégia realista característica de jogos de alto calibre, Rui Borges destacou o impacto do mediatismo numa época em que nem todos os duelos eram televisionados. «Contra o Sporting nunca perdíamos. O FC Porto foi a única equipa que não conseguimos vencer durante aqueles quatro anos», reiterou.

Mudam-se os tempos

Mais de duas décadas depois, Rui Borges considera que a abordagem dos treinadores de equipas que visitam os grandes segue outra corrente de pensamento: «Querem dividir o jogo com menos armas e com menos qualidades do que as equipas grandes. Custa-me um bocadinho aceitar isso.»

«Temos de olhar para os objetivos do clube. Perder por 0-1 ou 0-6 é completamente diferente ao nível da confiança. Agora parece que é tudo igual», reiterou. O antigo jogador e atual dirigente defendeu a adoção de uma postura mais defensiva, em bloco mais baixo e compacto numa primeira fase da partida.

O relógio é o melhor amigo até uma fase de maior equilíbrio, mas solidariedade é palavra de ordem até ao apito final: «Eu gostava de construir e driblar, mas nesses jogos tinha de ter a noção que ia passar muito mais tempo a defender e tinha de otimizar os momentos em que tivesse a bola.»

Em 1999/2000, o Alverca terminou no 11.º lugar com oito pontos de vantagem para a zona de despromoção. Os ribatejanos somaram nove pontos contra Benfica, FC Porto e Sporting.

«A imagem que ficava era a final, que criávamos dificuldades. Ninguém se lembrava dos primeiros 25 minutos em que atirávamos bolas para todo o lado», recordou.

Sem pressão de olho no título

O Alverca parte para o duelo de sábado no Estádio do Dragão com a manutenção na Liga assegurada. Os ribatejanos vão defrontaram sem pressão o FC Porto, que garante o título com o triunfo.

Rui Borges defende que a possibilidade de conquistar o título a duas jornadas do fim «adiciona responsabilidade» aos dragões na receção ao Alverca. O antigo médio dos ribatejanos considerou que o segredo estará em «adiar» um potencial golo sofrido para potenciar o «nervosismo» do FC Porto.

Em sentido contrário, o Alverca apresenta-se «descansado» após ter alcançado a manutenção com «muito mérito». «Acabei por ver alguns jogos com muita qualidade. O Alverca esteve perto de empatar na Luz. Se conseguir aguentar a fase de maior intensidade do FC Porto, vai ter as suas oportunidades», defendeu Rui Borges.