E aos dois minutos Maxi fez magia e desfez o empate inicial... Foto Luís Forra/EPA
E aos dois minutos Maxi fez magia e desfez o empate inicial... Foto Luís Forra/EPA

Crescer dói mesmo muito, e sem ânimo fica mais difícil (crónica)

Sporting venceu sem ponta de brilho ou entusiasmo, à boleia da inspiração inicial de Maxi e duas centelhas de Catamo. Alverca não 'existiu' ofensivamente e não sobreviveu a golpes fortuitos que o leão conseguiu aplicar e capitalizar a seu favor

O Sporting venceu o Alverca com naturalidade, já que acabou por ser amplamente superior a um adversário inexistente do ponto de vista ofensivo, mas não conseguiu atirar uma faísca de entusiasmo aos adeptos, por mais que no final houvesse umas palmas e umas coreografias que os três pontos ajudam sempre a trazer de volta.

Entre os dois minutos de jogo — quando Maxi Araújo apareceu fora de sítio (na meia direita do meio-campo, ele que é lateral esquerdo) a marcar um golo caído de lado nenhum — entre esse tal minuto dois e o minuto 40, dizíamos, as únicas notas assentes no bloco eram cartões amarelos (três) e uma desconcentração de Debast que originou um livre favorável ao Alverca em zona perigosa.

E o que aconteceu ao minuto 40? Nada de transcendente e muito menos de consequente em relação a uma alguma tendência de jogo ou produto de exercício continuado — não: foi apenas um bom remate de Flávio Gonçalves à entrada da área, numa segunda bola, que quase pareceu perigoso. Mas isto foi apenas porque quase nada mais se passou em termos de futebol atacante na primeira parte, além do tal golaço de Maxi . A bola parecia a jeito, o miúdo deu-lhe bem, mas foi direitinha às mãos do guarda-redes do Alverca.

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Pouco depois, aos 42 minutos, o Alverca conseguiu o primeiro remate, por Figueiredo, também ele inofensivo. Perguntar-se-á o leitor: que aconteceu então durante toda a primeira parte? É isso, meu caro: quase nada. Pressão de adversários sobre adversários, maior domínio do Sporting mas sem perigo, agressividade do Alverca apenas a defender. Muita luta, muitas perdas de bola e tentativas sem êxito de parte a parte. Nem um cruzamento perigoso, nem um passe sensual a rasgar a profundidade, zero remates. Muitos passes falhados ou intercetados e nem sequer se pode falar, aqui, de um jogo de xadrez tático interessante, porque as equipas anularam-se com demasiada facilidade.

O Sporting entrou cheio de responsabilidades, sob alguma pressão e com várias mudanças. Centrais novos à terceira jornada é obra, depois de tudo o que já se sabia ter mudado da época anterior para a atual. Suárez voltou, mas não se viu até ao descanso. Zalazar e Geny não tiveram nem um simulacro daquelas jogadas que fazem deles artistas de nomeada. Altimira e Doumbia nem sim nem não, antes pelo contrário. O Alverca sentia a falta de Chiquinho para, eventualmente, tentar esticar jogo. Um desinteresse total, e já agora muito difícil de vender seja a quem for, com os direitos centralizados ou não centralizados. O público, depois de assobiar um bocado, terá bocejado e aproveitou o intervalo, decerto, para tomar um café regenerador.

Os jogadores, por seu turno, voltaram na mesma. Lentos, pausados, chatos. De repente, aos dez minutos, Geny deu finalmente um ar da sua graça, criou uma rotura e na sequência beneficiou de um autogolo do guarda-redes do Alverca para descansar Alvalade. Bom, descansar é relativo, porque as experiências das jornadas anteriores não foram boas e ainda havia muito por jogar. Vai daí, cinco minutos depois o moçambicano isolou magistralmente Suárez em contra-ataque e este não falhou. E lá ouviu de novo o seu nome nas bancadas, elas que até aí só o tinham vaiado. Futebol é isto mesmo.

O leão, disse-o Rui Borges, tem dores de crescimento. E parecem fortes. Com pouco ânimo e pouca alma parece que dói mais ainda. Capitães no banco, novos capitães a ganharem espaço, mais de meia equipa nova. É uma tarefa árdua, e a dor passa do relvado para as bancadas. Perder Geny Catamo até final do mercado seria como tirar parte do analgésico que vai permitindo suportar esta fase dura.

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