Kristyna Janku foi uma das 13 jogadores filmadas
Kristyna Janku foi uma das 13 jogadores filmadas

Escândalo na Chéquia: treinador filmou jogadoras a despirem-se no balneário

Caso aconteceu durante vários anos, no Slovácko

Petr Vlachovsky, antigo treinador do Slovácko e da seleção feminina sub-19 da Chequia, foi condenado por filmar secretamente as suas jogadoras a despirem-se, mas uma pena suspensa e uma proibição de treinar limitada ao seu país permitem-lhe, para já, continuar a trabalhar no estrangeiro, sanção que está a revoltar o país.

O caso chocante envolveu a gravação de 15 jogadoras, a mais nova com 17 anos, nos balneários antes e depois de treinos e jogos, entre 2019 e 2023. Vlachovsky, que chegou a ser eleito o melhor treinador de futebol feminino da República Checa e orientou o clube na Liga dos Campeões feminina, utilizava uma câmara miniatura escondida numa mochila para captar as imagens.

A internacional checa Kristyna Janku, uma das vítimas, só se apercebeu da dimensão do sucedido quando foi chamada à esquadra da polícia para se identificar nas filmagens. A jogadora de 31 anos, que agora atua na Polónia, descreveu o choque ao descobrir a traição de um homem que conhecia há muito tempo, com quem tinha uma boa relação profissional e de quem conhecia a família.

Petr Vlachovsky

«Nunca pensamos que algo assim possa acontecer», afirmou Janku, que representou o 1. FC Slovacko durante 13 épocas. «Quando vi as gravações, ele pensava mesmo no que estava a fazer. Percebi que era muito bom nisto. Não foi por acidente. Ele era profissional no futebol. Quando vi as gravações, percebi que também era profissional nisto.»

As jogadoras só souberam das filmagens após a detenção de Vlachovsky em 2023. O impacto foi devastador: algumas vomitaram ao saber da notícia, outras sentiram necessidade de abandonar o clube e várias procuraram ajuda psicológica. O tribunal atribuiu uma indemnização de cerca de 875 euros a 13 das jogadoras, mas Janku sublinha que o impacto durará uma «vida inteira».

Perante a situação, a FIFPRO, o sindicato mundial de jogadores, apelou à FIFA para que aplique uma proibição vitalícia a nível mundial. Um porta-voz da FIFA garantiu que o organismo «leva muito a sério qualquer alegação de má conduta». No entanto, a federação checa de futebol não tomou medidas adicionais, alegando que Vlachovsky já não é seu membro. A UEFA, por sua vez, poderia retirar a licença do treinador, mas de momento nada o impede de exercer fora do seu país.