«Em cerca de 100 minutos tudo pode acontecer»
Depois da derrota, por 0-2, na primeira mão dos oitavos de final da UEFA Europa League, na Hungria, perante o Ferencvaros, o SC Braga tem uma missão espinhosa pela frente, mas Carlos Vicens não atira a toalha ao chão e deixa um apelo.
«Sabemos que o horário do jogo não ajuda, mas estou convencido de que os adeptos vão fazer um esforço para virem apoiar e juntos somos sempre mais fortes. Falámos muito com os jogadores sobre coisas que aconteceram no primeiro jogo e temos de ser capazes de melhorar. A equipa tem de ter mais eficácia em muitas coisas, não só no acerto na zona de golo, criar dinamismo e quando tivermos de defender que nos sintamos sólidos. Uma equipa que transmite um nível de intensidade e agressividade mais alto do que fizemos lá. Estamos preparados para fazer uma partida melhor que na semana passada, pois se queremos ter sucesso tem de ser assim. Estamos convencidos de que é possível e, a nível emocional, temos de estar prontos para vários momentos. Temos de estar vivos, presentes e dentro do jogo durante todo o tempo e procurar constantemente a vitória», disse o treinador dos bracarenses, na antevisão da partida desta quarta-feira.
O treinador, de 43 anos, admitiu que a sua equipa tem de ser mais eficaz na hora de fazer golos, porém há outros momentos do jogo nos quais tem de demonstrar maior acerto.
«Já apresentei as soluções aos meus jogadores, com a pressão alta que nos colocaram temos de estar mais concentrados e marcar mais presença no nosso meio-campo ofensivo, estando atentos às transições, que foi assim que sofremos o segundo golo na Hungria. Temos de ter confiança no nosso processo e temos de ser SC Braga mais do que nunca, dar a nossa melhor versão e assim vamos estar mais próximos do nosso objetivo. Temos de ser clínicos quando chegarmos à área adversária. Vamos tentar criar mais oportunidades amanhã e sabemos que temos de as concretizar. Temos de ser humildes, de nos sacrificarmos na altura de defender e sermos uma equipa mais do que nunca», referiu o técnico espanhol, que revelou a mensagem que passou aos jogadores.
«Desde o primeiro momento em que cheguei ao balneário após a derrota na Hungria pedi que todos me olhassem nos olhos e disse que quem não acreditasse que conseguiríamos dar a volta, durante estes seis dias, que o melhor era ficar em casa. Sabemos que os jogadores ficaram frustrados, depois houve viagem e descanso em casa e temos de continuar a trabalhar na forma de ultrapassarem esse sentimento. No treino criámos situações de trabalho para dar energia e motivação a todos, sempre com coisas que temos de ajustar e melhorar. Damos uma ideia de que durante cerca de 100 minutos de jogo tudo pode acontecer, pois esta equipa já provou que pode fazer coisas muito boas.»
Vicens assumiu que não houve grandes coisas que o tenham surpreendido na primeira mão, no entanto em campo as coisas nem sempre correm como planeado e é isso mesmo que os seus jogadores têm de ser capazes de gerir melhor.
«Já alertamos os jogadores para isso, pois também já o vimos e isso faz parte do jogo. Quando tens um adversário, vais preparando o melhor possível, mesmo lá não houve muitas surpresas daquilo que se esperava, mas depois há o jogo propriamente dito e temos de o controlar melhor. Se amanhã conseguirmos gerir melhor a posse de bola, possivelmente não vamos conceder tantas oportunidades ao rival. Não basta ser bom em apenas um momento do jogo, mas em vários. Com um pouco mais de acerto vamos fazer golos, não tenho dúvidas disso.»