Elogios à atitude da equipa, cinco minutos «ridículos», penáltis de outras equipas e título: tudo o que disse Mourinho
Que conversa teve com Luís Godinho no final do encontro? Foi devido ao tempo de compensação?
- Foi. Há variadíssimas situações de jogo dúbias, mas, para ser honesto, não consigo dizer é penálti ou é cartão, quando é dúbio. Mas tudo aquilo que foi dúbio, foi contra nós, Mas como é dúbio, passa. Os cinco minutos acho que evidencia uma determinada postura, porque, hoje em dia, para se dar cinco minutos de descontos tem de ser um jogo muito limpo, sem substituições, sem paragens, um jogo em que as duas equipas querem ganhar e ninguém queima tempo. Com a mesma tranquilidade com que estou a falar consigo [jornalista], falei com ele [árbitro]. Mas penso que ele sai satisfeito com o seu trabalho. Que faça boa viagem até ao Alentejo, que está mau tempo. Quanto ao jogo, a única coisa que não fizemos foi marcar, que é o mais importante. Quem não marca, não ganha, mas eu, honestamente, não consigo apontar o dedo de modo objetivo aos jogadores. O que era muito difícil, jogar sem pensar na passada quarta-feira, jogar sem sinais de ressaca, sem sinais de sobranceira ou arrogância, os jogadores fizeram-no muito bem, fazendo um jogo com muita boa qualidade, perante as condições e um adversário que jogou para isto e que levou o ponto por que tanto lutou. A única coisa que não fizemos foi, de facto, o golo. Mas os jogadores fizeram um bom jogo.
O Benfica fica a cinco pontos do Sporting e pode ficar a 12 do FC Porto. É o adeus definitivo ao título?
- Não. No Benfica não há adeus ao fundamental. E o fundamental é dar tudo o que tem e ir aos seus limites. Obviamente que, de um modo muito pragmático, matematicamente é possível, mas, também de um modo muito pragmático, é muito difícil anular uma diferença que pode ser de 12 pontos. Mas não muda o rumo no sentido de que o grupo é bom, é unido, trabalha bem e respeita o clube que defende. Podemos estar a cinco ou a 50 pontos que não muda a nossa atitude de trabalhar no Benfica. Condições do relvado? Eram as possíveis. Não penso que o Tondela tenha criado estas condições para nos dificultar no jogo, a situação climatérica levou a que o campo estivesse nestas condições, com um relvado pesado, com muita água em alguns locais e um vento estranho. Claro que isso prejudica a equipa que quer jogar e ganhar. Mas se crias 20 ou 30 situações de golo é porque o campo permitiu. Não ganhámos porque não marcámos.
Como se gere emocionalmente a equipa nestes momentos?
- Gere-se com bases nos princípios, que são os princípios do Benfica e que também são os meus princípios, somos muito parecidos. Não há nada a gerir. Quando voltarmos ao trabalho, voltaremos com o máximo de profissionalismo que temos. Obviamente que os jogadores não estão contentes, mas acho que eles também já me conhecem e não deviam estar à espera que eu chegasse ao balneário ao pontapé com as portas. Eles sabem o que para mim é fundamental e os golos falhados são golos falhados. O Bernardo defendeu muito e às vezes também é injusto falar em golos falhados sem fazer justiça a um rapaz que fez um trabalho extraordinário. Mas também tem que ver com o ADN dos jogadores que temos, não temos gente com ADN de marcar muitos golos. Assim como também não temos atração ao penálti, o maior penálti que estava aqui hoje para ser marcado, o Pavlidis não caiu. Vamos por esta Liga fora, e principalmente nas equipas de topo, e sabemos perfeitamente que eles tinham caído. Ele tenta fazer golo até ao fim, é ADN. Obviamente que é frustrante não ter ganho este jogo, claro que pesa na relação tristeza/alegria, mas eu não consigo ter um sentimento negativo para com os jogadores. As equipas que jogaram quarta-feira na Champions League, muitas delas tiveram dificuldades para recuperar e jogar. No nosso caso, acho que até recuperámos bem do ponto de vista físico, depois claro que alguns jogadores começaram a cair um bocadinho, algo normal. Tiveram uma atitude muito boa e as únicas coisas que temos a lamentar são os golos que não marcámos, as fantásticas defesas que o Bernardo fez, e os ridículos cinco minutos que o [Luís] Godinho deu.
O Benfica criou por fora e por dentro, mas na direita houve largura com Banjaqui e Prestianni em jogo mais interior. À esquerda, com Dahl e Schjelderup, não foi assim. O que pretendeu?
- Porque são as características dos jogadores. O Dedic joga muito mais por dentro, é um jogador fantástico, mas que não tem um grande cruzamento por fora. Quando ele joga, o jogador do seu lado tem de estar mais aberto. Neste caso, o Banjaqui joga melhor por fora do que por dentro. Tem que ver com as características dos jogadores, o Schjelderup gosta mais de jogar aberto para fazer condução e atacar o defesa. Nós estamos a jogar bem, construímos a três, a quatro, temos diversificação na nossa criação e fazemos coisas muito bonitas desde a primeira fase. A equipa está a jogar bonito, cria muitas, muitas situações de golo. Há equipas que marcam mais do que aquilo que jogam, e nós somos uma equipa que marca menos do que aquilo que joga. Não somos uma equipa com muita gente de ADN goleador, acho que isso é uma coisa óbvia.