Pavlidis lutou mas não marcou (Foto: Rogério Ferreira/KAPTA +)
Pavlidis lutou mas não marcou (Foto: Rogério Ferreira/KAPTA +)

Benfica desceu bem à terra, mas mal à lama e à muita água (crónica)

O Benfica fez quase tudo bem. Até a superar a ressaca da tremenda vitória europeia. Faltaram apenas os golos. Mas os golos são, como diria La Palisse, a única forma de ganhar jogos.

O Benfica entrou em campo com o doping anímico de, quatro dias antes, ter batido, sem espinhas, o rei da Liga dos Campeões. Porém, minutos depois de o Sporting ter batido, em sofrimento, o Nacional, era preciso descer à terra. Passar do imponente Estádio da Luz ao bem mais pequeno João Cardoso. De 60 mil pessoas para apenas cinco mil. De um relvado enorme para outro bem mais pequeno. Do Real Madrid ao Tondela. De Courtois, Bellingham, Mbappé e Vinícius para Bernardo Fontes, Rodrigo Conceição, Makan Aiko e Jordan Siebatcheu. E a coisa não correu bem. Quatro meses (12 jogos) depois, o ataque encarnado voltou a ficar em branco na Liga, embora tenha completado o terceiro jogo seguido sem sofrer golos. E perdeu dois pontos para o Sporting, segundo classificado, estando agora a cinco de diferença.

Como reagiu a águia de Mourinho a tanta coisa diferente em escassos dias? Fisicamente, bem. Animicamente, bem. Reagiu com apenas duas trocas relativamente ao jogo com os merengues: Dedic por Banjaqui e Tomás Araújo por António Silva. Mas desceu a uma terra muito molhada, encharcada, aliás. O relvado tondelense, sobretudo nas áreas, era uma mistura de terra, relva, lama e água. Mas, claro, igual para os dois lados.

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O Benfica entrou intenso, tal como intenso entrou o Tondela. Jogo aberto, rápido e sempre de área a área. Houve oportunidades de parte a parte. Pavlidis, Rodrigo Conceição, Schjelderup e Prestianni tiveram-nas nos primeiros minutos, mas sem perigo de monta. O que aconteceu aos 25 minutos, quando Jordan, de calcanhar, desviou a bola ao poste. Com a chuva intensa a dificultar a fluidez do jogo, registaram-se, sobretudo, muitos duelos a meio-campo. Ainda houve, por momentos, a possibilidade de o Benfica ter um penálti a seu favor, numa disputa entre Bebeto e Leandro Barreiro, mas, depois de alertado pelo VAR, Luís Godinho reverteu a decisão. O intervalo chegava com as águias por cima, claro que sim, mas sem chegar ao essencial: golos.

O jogo continuou amarrado no início da segunda parte. Pouco espaço, muita chuva, muito contacto. Jordan, após cruzamento de Rodrigo Conceição, ainda obrigou Trubin a uma defesa apertada, mas depois, pouco a pouco, o Benfica tomou ainda mais conta do jogo. A bola passou a andar sempre muito mais perto da área do Tondela e, quando ultrapassava a bem construída muralha adversária, aparecia Bernardo Fontes a deter tudo. Mas tudo mesmo. Prestianni, Schjelderup e Sudakov estiveram perto do golo, mas a eficácia continuou um zero absoluto. A do Benfica, claro, pois a do Tondela, personificada no seu guarda-redes, era máxima.

Até que José Mourinho, aos 62’, decidiu mudar: Banjaqui por Sidny Cabral e Schjelderup por Rafa. Cristiano Bacci respondeu de imediato: Maviram por Tiago Manso e Hodge por Pedro Henrique. Começava a batalha tática. Mas era difícil. Por entre tanta chuva, tanta lama e tanta densidade de jogadores junto da área de Bernardo Fontes, era preciso eficácia. O Tondela defendia-se com brilhantismo, o seu guarda-redes defendia ainda com mais brilhantismo, mas tornou-se evidente, com o passar dos minutos, que apenas um golpe de sorte mudaria o 0-0.

Perto do fim, aos 82’, Mourinho meteu mais lenha atacante. Bruma e Anísio entraram para os lugares de Prestianni e Sudakov. Frescura para substituir cansaço. Ideias novas para substituir ideias já conhecidas. Bruma, Dahl e, sobretudo, Anísio, num remate à meia-volta, voltaram a estar perto do golo, mas aí apareceu sempre Bernardo Fontes. E, pelo meio, mais chuva, lama e até vento. Para as duas equipas, repete-se.