Jorge Jesus, em 2010, na sua primeira passagem pelo Benfica - Foto: IMAGO - Foto: IMAGO

Quando Jorge Jesus quis treinar o Benfica e o V. Guimarães ao mesmo tempo

Rui Miguel, que fez parte da última equipa dos conquistadores a ganhar na Luz, revelou uma história caricata de quando JJ quis tramar o... SC Braga

O Vitória de Guimarães não vence no Estádio da Luz desde novembro de 2009. Desse plantel, que eliminou o Benfica da Taça de Portugal, fazia parte Rui Miguel. «Foi um jogo muito bem conseguido e sofrido da nossa parte. Defendemos muito bem e as nossas transições eram muito rápidas e objetivas, apesar de o golo ter sido num canto», recordou o ex-jogador a A BOLA.

O treinador das águias era Jorge Jesus, que, nessa época, também tentou orientar… os conquistadores. Rui Miguel contou, em exclusivo, uma história em que, antes de um SC Braga-Vitória (a seis jornadas do final do campeonato), o atual técnico do Al Nassr ligou a Nuno Assis para dar indicações aos jogadores vimaranenses. Nessa temporada, encarnados e arsenalistas disputaram o título até à última. Além disso, o experiente treinador tinha estado nos guerreiros do Minho na época anterior e conhecia bem a equipa.

«Estávamos no autocarro a sair de Guimarães em direção a Braga e o meu lugar era atrás, junto ao Nuno Assis. Nisto, o Nuno vê o telefone: e era o Jorge Jesus a ligar, umas horas antes do jogo. E o Nuno olhou e disse: 'Eh pá, o que é que ele quer? Está-me a ligar, o que é que se passa?'», recordou o antigo médio.

«O Jorge Jesus queria passar umas indicações ao Nuno e dizer o que é que determinados jogadores do Vitória tinham de fazer. A táctica do mister Paulo Sérgio [hoje no Al-Akhdoud da Arábia Saudita] já estava dada, já estava estudada, mas ele quis reforçar», acrescentou.

Rui Miguel lembra-se que o companheiro Nuno Assis só respondia «está bem, está bem, está bem», ao ouvir aquele que tinha sido o seu treinador na cidade-berço em 2003/04.

«Quem conhece o Jorge Jesus sabe que ele trabalha detalhadamente. Tudo ao pormenor. E ele conhecia muito bem o SC Braga e os jogadores. Até detalhou as fragilidades de dois ou três e o que tínhamos de fazer para as aproveitar», contou o ex-atleta, que também recebeu instruções de JJ. «Chegou a dizer ao Nuno: 'Eh pá, diz ao Rui Miguel que ele tem de fazer isto e aquilo no último terço'», recordou.

«Claro que nós já tínhamos tudo muito bem estudado, já tínhamos analisado a equipa do SC Braga, porque o mister Paulo Sérgio também fazia isso muito bem e trabalhávamos muito bem as equipas adversárias ao longo da semana», disse Rui Miguel, que acabou mesmo por inaugurar o marcador nessa derrota por 2-3, na Pedreira.

Se o técnico Paulo Sérgio alguma vez chegou a saber dessa chamada? «Se não chegou, vai ficar a saber [risos]», brincou Rui Miguel, acrescentando que está é apenas mais «uma história caricata, à imagem daquilo que é o mister Jorge Jesus». Curiosamente, os dois treinadores mencionados na história têm encontro marcado para o próximo dia 11, em jogo a contar para o campeonato saudita.

«Vai ser extremamente difícil»

Focando no jogo de sábado, Rui Miguel reconheceu que o seu Vitória não vai ter pela frente um adversário fácil: «O Benfica está a atravessar um bom momento, está a vencer jogos, ainda está na luta, ainda está com a esperança de poder ser campeão e não quer descolar.»

Pelo contrário, vê a equipa minhota fragilizada, «pelo momento menos bom que está a atravessar». Ainda assim, considerou que este «seria um bom jogo para dar a volta», acrescentando que os conquistadores já conseguiram surpreender o FC Porto, no Dragão (3-1, para a Taça da Liga). «É uma tarefa difícil, mas não é impossível», salientou.

Sobre a mudança de treinador

O antigo atleta do Vitória (entre 2009 e 2011) confessa que a chicotada psicológica, com a troca de Luís Pinto por Gil Lameiras na semana passada, o apanhou de surpresa: «Não estava à espera, mas são decisões que têm de ser tomadas. O clube atravessa o período menos bem conseguido do campeonato com três derrotas e um empate, e já sabemos que o mais fácil de substituir é sempre o treinador.»

«Não podemos dizer que este ano foi uma época perdida para o Vitória. Vai haver muitas equipas ou a maioria das equipas vão acabar esta temporada sem conquistar um único troféu. Não é o caso do Vitória, que já tem um título. Por isso, não podemos dizer que foi uma época negativa. Agora, claro que está muito longe de atingir os objetivos a que um clube com a dimensão do Vitória se propõe», sublinhou.