«É sinal positivo, não foi só o Benfica a ganhar com o negócio com a NOS»

Diretor executivo da Liga Centralização considera desfecho uma boa resposta do mercado

O diretor executivo da Liga Centralização considera que a venda dos direitos audiovisuais do Benfica à NOS, para as épocas 2026/27 e 2027/28, por 104,6 milhões de euros, representa um «sinal muito positivo» do mercado audiovisual português.

«É um sinal muito positivo do mercado e em linha com as nossas expectativas de uma venda centralizada», afirmou André Mosqueira do Amaral, responsável pela empresa criada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) para este processo, em declarações à agência Lusa.

O dirigente da LPFP, que lidera a Liga Centralização — estrutura que integra representantes de clubes como Alverca, FC Porto, Sporting, Sporting de Braga, Vitória de Guimarães, Feirense, Leixões e Marítimo — distinguiu o negócio realizado pelos encarnados, sublinhando que o acordo não se limita aos jogos de futebol, abrangendo também outras modalidades e a exploração publicitária.

«Na sua substância, como é público, este negócio não é diretamente equivalente, pois vai além dos direitos audiovisuais que a centralização contempla. Ainda assim, reflete uma dinâmica de crescimento de mercado semelhante, seja numa venda individual ou coletiva, que se afigura muito favorável, não só pelo valor alcançado como pela tensão competitiva que gerou», explicou.

Os direitos audiovisuais dos dois principais escalões do futebol profissional português passarão a ser negociados de forma centralizada a partir da temporada 2028/29, no âmbito do modelo promulgado em março de 2021, resultante do memorando de entendimento assinado, em janeiro desse ano, entre a Federação Portuguesa de Futebol e a LPFP.

Para André Mosqueira do Amaral, os valores obtidos pelo Benfica, superiores a €50M por época, «indicam que a direção do mercado de direitos audiovisuais em Portugal é positiva».

«Temos uma perspetiva de crescimento do mercado. Este negócio reforça as nossas expectativas no contexto da centralização, uma vez que aos desempenhos individuais acrescem os benefícios adicionais de uma venda conjunta», acrescentou.

O responsável sublinhou ainda que «neste negócio não ganhou apenas um clube».

«Ganham todas as sociedades desportivas, uma vez que estamos confiantes de que o mesmo irá acontecer com as restantes, que até 2028 continuarão a comercializar individualmente os seus direitos», afirmou.

Questionado sobre o processo em curso, Mosqueira do Amaral revelou que a Liga Centralização se encontra a concluir a componente regulatória, em articulação com a Autoridade da Concorrência (AdC) e a Federação Portuguesa de Futebol, garantindo o cumprimento do calendário e dos procedimentos previstos para o concurso.

O Benfica integrava a gerência da Liga Centralização, mas suspendeu essa participação a 9 de julho de 2025, numa decisão comunicada ao presidente da LPFP, Reinaldo Teixeira, através de uma carta enviada na sequência das posições assumidas pelo clube após a arbitragem de Luís Godinho na final da Taça de Portugal, disputada em 25 de maio do ano passado e perdida frente ao Sporting por 3-1, após prolongamento.