Esta imagem vai deixar de se ver no campeonato francês - Foto: IMAGO
Esta imagem vai deixar de se ver no campeonato francês - Foto: IMAGO

Liga francesa abandona cores arco-íris e controvérsia instala-se

Marine Tondelier, secretária nacional do partido Os Ecologistas, é uma das vozes da indignação: «Já nem estagnamos, regredimos»

A Liga de Futebol Profissional de França (LFP) está no centro de forte polémica após anunciar, na passada quarta-feira, que irá abandonar o uso das cores do arco-íris nas camisolas dos jogadores. A decisão de prescindir do símbolo da comunidade LGBTQIA+ e de cancelar a jornada dedicada à luta contra a homofobia gerou onda de reações.

A medida foi classificada como «uma vergonha inqualificável para os dirigentes da LFP» por Marine Tondelier, secretária nacional do partido Os Ecologistas.

Nas redes sociais, a política questionou: «Em 2026, nem sequer são capazes de exibir as cores do arco-íris nas camisolas? Já nem estagnamos, regredimos». Tondelier concluiu de forma contundente: «Na realidade, o futebol francês não quer lutar contra a homofobia», segundo o L´Équipe.

A decisão foi comunicada pela LFP numa reunião com as associações parceiras, nomeadamente a Licra, a Fundação para um Desporto Inclusivo e a Foot Ensemble. Mathias Ott, delegado interministerial para a luta contra o racismo, o antissemitismo e o ódio anti-LGBT+ (DILCRAH), também criticou a medida, afirmando que «recuar em símbolos que dão visibilidade às pessoas LGBT+ é enviar um sinal preocupante. A mobilização do futebol profissional é indispensável para fazer progredir a igualdade de todos».

Recorde-se que este não é o primeiro recuo da LFP nesta matéria. Há dois anos, a Liga já tinha abandonado os números das camisolas com as cores do arco-íris, substituindo-os por um simples emblema, devido à recusa de uma minoria de jogadores em associar-se à iniciativa. Essa decisão levou ao fim da parceria com duas associações, a SOS Homophobie e o PanamBoyz & Girlz United.

A intenção da LFP passa agora por agrupar a luta contra o racismo, o antissemitismo e a homofobia numa única jornada. Esta abordagem foi condenada pelo coletivo Inter-LGBT, que acusa a Liga de tentar «invisibilizar a homofobia como uma discriminação particularmente presente no futebol, diluindo-a num saco de 'discriminações'».

À quem defenda a decisão

O coletivo, que inclui várias organizações como a Federação Desportiva LGBT+ e a Stop Homophobie, considera que «face à dimensão, gravidade e persistência do problema da homofobia no futebol profissional, teria sido lógico, pelo contrário, que a LFP mantivesse este dispositivo, adotando uma abordagem construtiva de procura de soluções em vez de escolher cobardemente o abandono».

O grupo apelou à intervenção da ministra do Desporto, mas o ministério não respondeu aos pedidos de contacto, e a Federação Francesa de Futebol (FFF) não quis comentar.

A LFP recebeu, contudo, o apoio da associação Foot Ensemble. O seu presidente, Yoann Lemaire, embora considere que «a camisola era magnífica e muito útil», julga «interessante experimentar outra coisa». Perante as críticas, Lemaire questiona: «Quando as camisolas exibem as cores do arco-íris, fala-se de pinkwashing. Quando se muda o dispositivo, torna-se um escândalo. O que seria preciso fazer para agir sem ser sistematicamente criticado?»

Apesar das dificuldades, Lemaire garante que «as mentalidades estão a evoluir progressivamente nos clubes e nos balneários».

«É de notar uma evolução desde há um ano, tranquilizadora mas necessária, pois por vezes ficávamos preocupados com as declarações feitas», acrescentou o presidente da Foot Ensemble.