Adeptos do Benfica no Estádio da Luz (foto: Miguel Nunes)

NOS divulgou valores de contrato abaixo dos do Benfica. Saiba porquê

Diferença de 9,6 milhões de euros explica-se com a exclusão de ativos publicitários no comunicado da operadora. Encarnados mantêm os 57,1 M€ anuais como fasquia para a centralização

Nos comunicados ontem publicados por NOS e Benfica sobre o novo contrato surgiu uma aparente discrepância de números entre os dois protagonistas do maior negócio televisivo do futebol português. O Benfica anunciou um encaixe global de 114,2 milhões de euros pelas próximas duas temporadas (2026/27 e 2027/28), ao passo que a NOS enviou à CMVM um comunicado onde fixa o valor do contrato em 104,6 milhões.

À primeira vista, o desfasamento de 9,6 milhões de euros poderia sugerir leituras distintas sobre o acordo, mas uma análise minuciosa aos documentos revela que a diferença é meramente contabilística e prende-se com o perímetro do que foi reportado por cada uma das entidades.

Mas há uma explicação para a diferença: a NOS cingiu o seu comunicado estritamente aos direitos de transmissão televisiva dos jogos da equipa principal e à distribuição do canal Benfica TV. Este core do negócio vale, de facto, os 104,6 milhões de euros mencionados pela operadora liderada por Miguel Almeida.

No entanto, o Benfica, no seu comunicado oficial, incluiu outros ativos que fazem parte do pacote global negociado e que podem vir a garantir mais direta para os cofres da Luz:

  • Publicidade na BTV: 2,4 milhões de euros.

  • Publicidade estática e dinâmica (LEDs) no Estádio da Luz: 7,2 milhões de euros.

Estes valores são estimados e somando estes dois itens ao aos direitos televisivos, chega-se aos 114,2 milhões de euros publicitados pelas águias.

O CEO da NOS, Miguel Almeida, e p presidente do Benfica, Rui Costa, selaram o acordo — Foto: SL Benfica
O CEO da NOS, Miguel Almeida, e p presidente do Benfica, Rui Costa, selaram o acordo — Foto: SL Benfica

O trunfo de Rui Costa perante a Liga

A insistência do Benfica em comunicar o valor de 57,1 milhões de euros por ano (o potencial do pacote) não é inocente. O clube da Luz está em rota de colisão com o modelo de centralização proposto pela Liga Portugal, que deverá avançar em 2028.

Ao fixar este valor recorde, o Benfica envia um sinal claro ao mercado e aos restantes clubes: na ótica dos encarnados, qualquer modelo centralizado que atribua ao clube menos do que estes 57 milhões anuais será visto como um prejuízo financeiro. De resto, no comunicado de ontem, as águias sublinharam que este contrato rende mais 20 milhões de euros por ano do que aquilo que o clube receberia se aceitasse a atual proposta de distribuição da Liga.

O que muda para o adepto?

Para o adepto, a confirmação de ambos os comunicados garante que nada muda no curto prazo: os jogos do Benfica no campeonato continuarão a ser transmitidos na BTV até ao verão de 2028, mantendo-se a NOS como o parceiro estratégico para a distribuição do canal nas várias plataformas.

Com este contrato, o Benfica assegura uma almofada financeira crucial para o último biénio antes da revolução nos direitos televisivos em Portugal, garantindo um aumento de receita anual de cerca de 12 milhões de euros face ao contrato que estava em vigor.