E num ápice tudo mudou para Bernardo Silva no Real Madrid
O Real Madrid de José Mourinho parece ter finalmente encontrado o rumo certo. Entre várias alterações operadas pelo técnico português desde a reviravolta frente à Roma, na Liga dos Campeões, a afirmação de Bernardo Silva surge como a mais determinante para o crescimento da equipa merengue, algo que ficou bem patente na recente exibição no Camp Nou.
Contratado ao Manchester City a 'custo zero' após fim de contrato de Bernardo com os ingleses, o negócio gerou grande expetativa junto dos adeptos do Real, sobretudo pelo facto de os madrilenos terem vencido a corrida ao Barcelona, mas o arranque do internacional português no Bernabéu não foi fácil. Passou vários jogos sem sair do banco ou a entrar apenas para os minutos finais e algumas interrogações começaram a surgir no ar.
Mourinho optou pela paciência na gestão do internacional luso, aguardando que atingisse a melhor condição física após o técnico ter assumido, na pré-época, que o esquerdino necessitaria de mais tempo para atingir o pico de forma. Perante um setor atacante muito povoado e com maior velocidade e poderio físico, a solução passou por recuar o jogador para o miolo, oferecendo maior critério à construção e apoiando o duplo pivô formado por Valverde e Tchouaméni.
Na ausência de um reforço específico para o meio-campo na era pós-Kroos e Modric — sem a chegada de Rodri ou de outra alternativa —, a versatilidade de Bernardo Silva tornou-se a chave do esquema tático. Embora possa atuar como elemento de ligação mais adiantado ou descaído para as alas, o internacional português tem encaixado na perfeição numa posição mais recuada, permitindo inclusivamente que Guler jogue mais solto na frente, como se verificou no terreno do Barça.
No clássico diante do Barcelona, além de assegurar a saída de bola desde trás e libertar Tchouaméni dessa responsabilidade, Bernardo Silva destacou-se no trabalho defensivo ao anular as linhas de passe de Rodri e Pedri, afastando os receios de um domínio catalão no setor intermediário.
A influência do médio luso reflete-se igualmente nos números de posse de bola da formação madrilena. Depois dos primeiros sinais positivos diante do Sevilha e frente ao RB Leipzig — jogo em que foi titular e no qual o Real Madrid atingiu 62% de posse —, o registo médio da equipa com o português em campo situa-se nos 57%, descendo para 47% na sua ausência (a média geral da época cifra-se nos 52%). Já nas ocasiões em que jogou menos tempo ou em contextos específicos, os números foram distintos: 46% frente à Roma, onde alinhou apenas nos últimos 20 minutos, e 37% no duelo disputado no Camp Nou.