Diogo Bezerra (Rio Ave) e Matheus Mendes (Alverca) - Estela Silva/LUSA
Diogo Bezerra (Rio Ave) e Matheus Mendes (Alverca) - Estela Silva/LUSA

E ao terceiro mês… houve ressureição ribatejana (crónica)

O Alverca não vencia há três meses. Os ares da Páscoa ajudaram e no Ribatejo haverá agora quem beije cruzes e até… Custódios. Em sentido contrário, o estado de graça vilacondense chegou ao fim

Passou fevereiro e o Alverca sem vencer. Veio março e nada de triunfos. Abril chegou e, por fim, a vitória voltou a ganhar vida. (Sábado de) Aleluia - suspirou a turma de Custódio, que não sorria assim desde a jornada 18 e só tinha duas vitórias fora de portas (a última em novembro).

O forasteiros entraram fortes. Igualmente forte foi, logo aos 5', o remate de Figueiredo, para tão moles mão de Van der Gouw… Em véspera de Páscoa, cheirou a frango natalício do guardião do emblema da Caravela (que, fora isso, se exibiu em grande plano). Num livre (estudado) ainda longe da baliza, o avançado rematou potente, mas à figura. Daquele que parecia um lance controlado pelo guarda-redes, a falta de firmeza traiu-o e... estava aberta a contagem.

A formação do Sul manteve o ânimo durante todo o primeiro tempo e continuou a criar perto da baliza rioavista. O segundo tento surgiu em mais um erro (e muita passividade) defensiva. Sandro Lima recebeu (21') um passe de Figueiredo, à entrada da área, dominou e, praticamente sem preparação, rematou rasteiro (sem hipótese) para dentro da baliza, aplicando a lei do ex (jogara nos rioavistas em 2013/14).

A grande oportunidade do Rio Ave nos primeiros 45 minutos saiu da cabeça de Blesa, naquilo que seria um prenúncio do que viria a acontecer na etapa complementar. Abbey cruzou pela esquerda e o ponta de lança fez a bola passar a escassos centímetros do poste esquerdo. Enquanto isso, na baliza contrária, Van der Gouw ia-se redimindo da culpa no golo inaugural, com excelentes intervenções.

Ao contrário do que se tinha vindo a verificar nos desafios anteriores, os vilacondenses estavam muito apáticos. Sotiris Silaidopoulos substituiu Nikitscher por Ryan Guilherme, antes do intervalo, e mudou o chip ao resto dos jogadores, no descanso. Resultou. Apesar de as primeiras oportunidades terem sido protagonizadas pelos visitantes, os anfitriões voltaram mesmo com outra energia e dinâmica.

Blesa (quem mais?) reduziu com naturalidade aos 59'. Numa jogada que já tinha sido ensaiada no primeiro tempo, Abbey cruzou pela esquerda e, desta feita, o avançado não vacilou.

O tento galvanizou o conjunto nortenho, enquanto o do distrito de Lisboa foi ameaçando (e bem) no contra-ataque. No entanto, o marcador não mais mexeu. Com este resultado, o Alverca chegou aos 32 pontos e ultrapassou na classificação o Rio Ave (30), que vencia há três partidas consecutivas.

A figura do Rio Ave: Blesa
A heresia do inevitável avançado espanhol ia arruinando a Páscoa no Ribatejo. Marcou pelo quarto jogo consecutivo e, a esta altura, já ninguém se lembra de Clayton. Blesa chegou em janeiro para fazer o papel do brasileiro. Parece ingrato, mas está a cumpri-lo na perfeição. Quando marca, costuma ser para dar a vitória à equipa. Mas aqui não foi possível.

As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Van der Gouw (4); Vrousai (5), Gustavo Mancha (5), Brabec (4) e Nelson Abbey (6); Ntoi (5) e Nikitscher (4); Diogo Bezerra (4), Olinho (6) e Spikik (5); Blesa (6); Ryan Guilherme (5), Omar Richards (5), Tamble Monteiro (5), Liavas (-) e João Tomé (-)

O melhor em campo: Figueiredo
Marcou, assistiu, assustou, jogou, fez jogar. Isto tudo em menos de 70 minutos. O avançado foi substituído relativamente cedo na partida (depois de uma partida de muito desgaste), mas jogou o suficiente para ocupar esta ilustre caixinha. É verdade que teve a ajuda de Van der Gouw, no lance do golo, mas que isso não distraia da potência e intenção do seu gesto.

As notas dos jogadores do Alverca (3x4x3): Matheus Mendes (5); Naves (6), Sergi Gómez (5) e Meupiyou (5); Nabil Touaizi (5), Rhaldney (5), Lincoln (6) e Isaac James (5); Figueiredo (7), Sandro Lima (6) e Chiquinho (6); Cédric Nuozzi (4), Vasco Moreira (5), Marezi (5) e Diogo Spencer (-)

Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave)

O jogo teve duas partes diferentes. Na primeira, o Alverca foi melhor, demos muito espaço e permitimos que eles criassem oportunidades. Precisávamos de mudar algo. Na segunda, reagimos bem, com caráter. Marcámos um golo e lutámos até ao fim, criando oportunidades para chegar ao empate.

Custódio Castro (treinador do Alverca)

Na primeira parte, podíamos ter feito mais golos. E, às vezes, a diferença é mesmo essa, é aproveitarmos as oportunidades que criamos. Acabámos o jogo a sofrer, o Rio Ave está num bom momento, mas os meus jogadores sabem sofrer e isso deixa-me feliz e orgulhoso. Estão a crescer.