Duas lendas do SC Braga recordam noite mágica e apontam ao grande sonho
O SC Braga está nas bocas do mundo. E não é para menos. Afinal, os guerreiros do Minho conseguiram dar a volta a um texto que parecia impossível de corrigir e viraram o duelo ibérico com o Betis de 0-2 para 4-2. A noite época no Estádio de La Cartuja, ontem, foi vivida de forma especialmente emocionante pelos cerca de 2 mil adeptos que se deslocaram ao Olímpico de Sevilha e tiveram o privilégio de testemunhar, ao vivo e a cores, a um duelo ibérico que perdurará eternamente na memória de todo o universo bracarense.
Mas ainda que a muitos quilómetros de distância, não faltou quem sofresse (também) a bom sofrer. A força emanada pelos braguistas ultrapassou fronteiras. A BOLA esteve à conversa com dois históricos dos arsenalistas e pôde confirmar que os corações destes dois antigos craques — Barroso e Zé Nuno Azevedo — atingiram batimentos de enorme paixão.
«Foi um sentimento muito forte, de uma alegria imensa. A primeira meia hora foi sofrida, mas, pelo que fez depois disso, o SC Braga justificou perfeitamente a remontada e o apuramento», começou por dizer Barroso.
Ainda de acordo com o mítico capitão, «a equipa reagiu muito bem, teve esse mérito, e deu uma grande prova de forma mental. A segunda parte foi excelente e estão todos de parabéns. Desde os jogadores, passando pela equipa técnica, mas também a restante estrutura diretiva. Fizeram história».
E o que os guerreiros mostraram em Sevilha não foi mais do que aquilo que têm vindo a fazer ao longo da época. Porque há um traço estratégico absolutamente claro. Segue-se o Friburgo, nas meias-finais, e Barroso projeta o embate. «Toda a gente sabe que as equipas alemães são muito agressivas e práticas. Mas o SC Braga tem vindo a subir de rendimento e acredito que tem tudo para poder eliminar o Friburgo e assinalar mais um momento histórico para o clube. Final? O SC Braga joga à equipa grande e tem tudo para poder sonhar», concluiu o mítico pontapé canhão.
E por falar em nomes grandes do emblema da cidade dos Arcebispos, eis... Zé Nuno Azevedo. Outra lenda viva do SC Braga. E cujo orgulho bracarense galgou fronteiras.«Passou-me tudo pela cabeça e pelo coração. Foi um jogo em que o SC Braga foi do inferno ao céu. Sentimos que estivemos muito perto do abismo, principalmente depois do segundo golo e no momento em que ainda surge o terceiro, que acabou por ser anulado, mas conseguimos subir ao cume da montanha», assumiu, do fundo da alma.
O antigo lateral não tem dúvidas em afirmar que «foi uma das noites mais gloriosas da história do SC Braga. Curiosamente na mesma cidade onde há 15 anos foi garantida a entrada na UEFA Champions League, frente ao Sevilha».
Agora, é observar o horizonte e... sonhar. «O Friburgo não vai ser fácil. Podemos olhar e dizer que não é uma equipa com tanto nome quanto isso e que está no 8.º lugar da Bundesliga, mas não poderá ser essa a análise. É uma equipa forte, com jogadores muito físicos, e é preciso ter muitas cautelas. Esperam-se mais dois jogos de superação em busca do sonho de Istambul», atira o antigo camisola 2, com uma fé... que move montanhas.