Bracarenses fizeram uma festa gigantesca no relvado do Olímpico de Sevilha
Bracarenses fizeram uma festa gigantesca no relvado do Olímpico de Sevilha

'Remontada' épica ao som de majestoso vira minhoto (crónica)

Entrada de pesadelo deixou os bracarenses com uma desvantagem de dois golos e a eliminatória quase perdida. Mas as grandes batalhas são para os grandes guerreiros: goleada histórica rumo às meias-finais

SEVILHA — Fantástico. Maravilhoso. Lindo. Ímpar. Inigualável. Épico. Histórico. Eterno. Adjetivemos como quisermos.

Sem ponta de patriotismo, caro leitor: o que o SC Braga fez no Estádio de La Cartuja é digno dos deuses do Olimp(ic)o. Porque chegar a um palco com cerca de 70 mil espectadores, levando a eliminatória empatada a uma bola, entrando de forma absolutamente desastrosa na partida, estar a perder por 0-2 aos 26 minutos — e o terceiro só não foi uma realidade porque o VAR fez (bem) o seu papel e anulou os festejos a Abde Ezzalzouli, por fora de jogo de Antony no início da jogada —, reduzir ainda antes do intervalo, empatar logo após o reatamento, dar por completo a volta ao texto aos 53 minutos e selar o 4-2 final com um golaço para ver e rever (uff!) é digno de uma equipa que só pode mesmo ter o céu como limite.

Aconteça o que acontecer no futuro próximo desta UEFA Europa League, o dia 16 de abril de 2026 jamais sairá do já considerável livro de honra do SC Braga. Porque esta data constará eternamente como uma das mais gloriosas da vida dos arsenalistas. Que noite histórica!

O mundo parecia ter-se desmoronado tão cedo... O coração dava indícios de não conseguir acompanhar o ritmo cardíaco que se exigia para um desafio desta dimensão. A botija de oxigénio estava a fraquejar e não havia grandes esperanças de que as pernas tivessem capacidade para responder. Com isso, o cérebro ficava altamente bloqueado e as ideias não passavam disso mesmo: intenções.

Foi esta a história da (falta de) vida dos arsenalistas na primeira meia hora. Foram 30 minutos de autêntico pesadelo para a turma portuguesa e, nessa altura, nem o mais otimista dos adeptos minhotos ousaria dizer que a história estava longe de estar escrita.

Quando Pau Víctor aceitou o renascimento concebido por Víctor Gómez, ao minuto 38, o inferno do La Cartuja (que ambiente, minhas senhoras e meus senhores!) tremeu. Porque começou a sentir que ainda havia muitas linhas em branco... O golo — curiosamente construído por dois... espanhóis — abriu caminho para uma noitada ao som de majestoso vira minhoto.

Logo após o reatamento, os decibéis subiram un poquito más: Ricardo Horta bateu o livre na meia esquerda e Vítor Carvalho teve cabeça para devolver o empate ao marcador e à eliminatória.

Mas ainda os sevilhanos não sabiam que tipo de som estavam a ouvir e Demir Tiknaz caía na grande área após derrube (claro) de Amrabat. Chamado à marca dos 11 metros, Ricardo Horta não vacilou e completou a reviravolta. Perdão, a remontada. Nem era jogo se a maior lenda viva da história dos bracarenses não inscrevesse o seu nome na lista de marcadores.

A farra minhota chegou a patamares de delírio absoluto com a sentença final: Gorby encheu-se de fé e deu a Cartuja(da) final.

O SC Braga foi gigante e está nas meias-finais da UEFA Europa League. Vem aí o Friburgo, mas esta equipa só pode mesmo sonhar com Istambul.