Do Leixões ao Torreense: os 'tomba-gigantes' que chegaram à final da Taça
Ao longo da história da Taça de Portugal, o Jamor foi palco de várias epopeias onde equipas da segunda e até da terceira divisão ousaram sonhar alto e chegar à grande final. O Torreense, embora saiba que é muito difícil bater o Sporting, sonha em entrar na história como primeira equipa de ligas inferiores a ganhar a Taça de Portugal. Vejamos as outras seis equipas que fizeram o mesmo que o Torreense agora fez:
2009/10: Chaves
A última presença de uma equipa das ligas inferiores na final do Jamor aconteceu há 16 anos. Os flavienses, liderados por Manuel Tulipa e com figuras como Rui Rêgo e Castanheira, mediram forças com o poderoso FC Porto de Jesualdo Ferreira. Apesar da réplica transmontana, o favoritismo dos dragões — que alinhavam com craques como Helton, Bruno Alves, Hulk ou Falcao — ditou o resultado: 2-1 para os azuis e brancos.
2001/02: Leixões
O histórico clube de Matosinhos, a militar na antiga Segunda Divisão B (equivalente ao terceiro escalão), assinou uma das páginas mais bonitas da prova. Comandados por Carlos Carvalhal e com Abílio e José António em destaque, os bebés do mar caíram de pé frente ao Sporting de Laszlo Bolöni (e de João Vieira Pinto, Jardel e Paulo Bento) por 1-0. A recompensa? Uma presença inédita na Taça UEFA.
1989/90: Farense
A 3 de junho de 1990, os algarvios de Paco Fortes, recém-promovidos à primeira divisão, defrontaram o Estrela da Amadora de João Alves. O jogo original terminou com um empate (1-1), obrigando a uma finalíssima escassos dias depois, onde os estrelistas venceram por 2-0. No relvado do Jamor cruzaram-se nomes icónicos como Lemajic, Carlos Pereira e Pitico, do lado de Faro, contra Melo, Duílio e um jovem Paulo Bento, do lado da Amadora.
1961/62: V. Setúbal
No rescaldo da conquista da segunda Taça dos Campeões Europeus pelo Benfica, os sadinos — então na segunda divisão e orientados por Filpo Núñez — tentaram travar o colosso encarnado. Com Mourinho Félix (pai de José Mourinho) na baliza e Jaime Graça em campo, o Vitória acabou derrotado por 3-0 pelo super-Benfica de Fernando Caiado, que contava com o seu onze de gala: Eusébio, Coluna, Simões ou José Águas.
1943/44: Estoril
Pelo segundo ano consecutivo, o Benfica defrontava um tomba-gigantes da divisão secundária na final. Os estorilistas, orientados por Augusto Silva (que dois anos mais tarde seria campeão nacional pelo Belenenses) e liderados em campo por Franjo Petrak, não conseguiram suster o fulgor da equipa de János Biri, sofrendo aquela que ainda hoje é a maior goleada em finais da Taça: 8-0.
1942/43: V. Setúbal
A primeira equipa do segundo escalão a atingir a final da prova rainha. O Benfica de János Biri (com Rogério Pipi, Julinho e Francisco Ferreira) entrou em campo com o estatuto de claro favorito frente aos sadinos de Armando Martins. A teoria confirmou-se na prática: uma vantagem de 3-0 à meia hora de jogo abriu caminho para o triunfo final por 5-1.