André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: IMAGO

André Villas-Boas: «A qualidade no campeonato não compensa o que falta fazer na Europa»

O presidente do FC Porto traça o retrato de um arranque de Liga irrepreensível, mas aponta o dedo às debilidades na UEFA, fazendo ainda apelo à união para blindar o clube contra o ruído exterior

O presidente do FC Porto assina o mais recente editorial da revista Dragões com uma leitura sobre o momento futebolístico e institucional do clube. André Villas-Boas faz o contraste entre o registo 100 por cento vitorioso nas competições internas e o desempenho na Liga dos Campeões, apelando ao compromisso coletivo e ao isolamento do grupo face às distrações externas para enfrentar os desafios do calendário.

A análise ao percurso na Liga começa com o destaque para o pleno de triunfos atingido pela equipa e o trabalho de Francesco Farioli: «No campeonato, nove vitórias em nove jornadas confirmam um percurso notável. Farioli já conquistou o seu lugar na história dos treinadores do FC Porto, mas é sobretudo no futuro que estamos concentrados. O seu mérito está na qualidade do trabalho, na exigência diária e na capacidade de fazer todos compreenderem o peso da Instituição. Os jogadores acreditam no treinador, no método e uns nos outros, e essa confiança tem de continuar acompanhada por disciplina e humildade.»

No campeonato, nove vitórias em nove jornadas confirmam um percurso notável. Farioli já conquistou o seu lugar na história dos treinadores do FC Porto, mas é sobretudo no futuro que estamos concentrados

Apesar do saldo vitorioso na Liga, o líder azul e branco recusa qualquer tipo de relaxamento: «Estamos orgulhosos deste arranque, mas o campeonato está longe de terminar e o compromisso com a vitória exige-nos a mesma união quando ganhamos e quando surgem dificuldades.»

Passando do plano nacional para o panorama europeu, André Villas-Boas adota um tom mais crítico e exige uma mudança clara de atitude: «Na Liga dos Campeões, temos de fazer muito melhor. Ninguém no clube está indiferente aos resultados, nem a qualidade do percurso interno compensa tudo aquilo que ainda não conseguimos fazer na Europa.»

Na Liga dos Campeões, temos de fazer muito melhor. Ninguém no clube está indiferente aos resultados, nem a qualidade do percurso interno compensa tudo aquilo que ainda não conseguimos fazer na Europa

Lembrando o historial competitivo do FC Porto nas provas internacionais, o presidente aponta a obrigação de dar uma resposta imediata em campo: «Temos uma responsabilidade histórica que exige uma resposta em campo. A qualificação para os oitavos de final continua a ser possível, mas precisamos de transformar a História que temos na competição em intensidade, concentração e capacidade competitiva.»

Temos uma responsabilidade histórica que exige uma resposta em campo. A qualificação para os oitavos de final continua a ser possível, mas precisamos de transformar a História que temos na competição em intensidade, concentração e capacidade competitiva

«Acreditamos nesta equipa e exigimos dela, como de nós próprios, a capacidade de responder. É assim que somos; é assim que é o FC Porto: foi sempre a exigência que nos elevou a patamares a que nenhum outro clube conseguiu chegar», vincou, projetando as semanas de trabalho que se avizinham: «Caros Portistas, novembro pede-nos trabalho, concentração e a união que nos trouxe até aqui. Temos vitórias para defender, dificuldades para corrigir e objetivos que só alcançaremos se o coletivo continuar acima de cada um.»

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