André Villas-Boas, presidente do FC Porto
André Villas-Boas, presidente do FC Porto

Villas-Boas e o Benfica: «Valham-nos os ovos Matinados para nos trazer de volta à realidade»

Líder portista ironiza a dualidade de critérios dos rivais e comentadores após o clássico e responde às teorias em torno da validação do golo de Oskar Pietuszewski por um centímetro na Madeira.

No editorial da revista Dragões, o líder dos dragões foca a sua atenção no quadro mediático que se seguiu ao duelo com o Benfica, visando diretamente o setor de análise televisiva: «É precisamente essa exigência interna [de vitórias do FC Porto] que parece levar ao desespero os comentadores afetos ao 'Manto Marrom'. No clássico com o Benfica, o contacto de Samu nas costas de Bah foi promovido a 'agressão bárbara', com direito a uma reconstrução dramática digna de cinema.»

Villas-Boas evoca um precedente recente: «Curiosamente, na época passada, quando um toque de um dedo bastou para desequilibrar Hjulmand e sustentar uma decisão favorável ao Sporting, a sensibilidade dos mesmos vigilantes foi muito diferente. A força dos contactos mede-se pela camisola e a indignação, pelo resultado.»

O dirigente resume o comportamento dos painéis televisivos a uma estratégia de desvalorização dos triunfos portistas: «Uma absoluta anedota, construída por quem não consegue aceitar a vitória do FC Porto sem procurar uma explicação que a diminua, seja qual for a imagem ou o ângulo. Quando o futebol lhes estraga o guião, há sempre um estúdio disponível para o reescrever.»

A reflexão alarga-se à postura institucional do rival da Luz e à forma como a transparência e as imagens são exigidas seletivamente: «É também enternecedor assistir à súbita paixão do Benfica por lances, imagens, ângulos e análises, depois de mais de uma década a transmitir os seus jogos na BTV. Tanta exigência de transparência merecia começar em casa: que os lances incómodos tenham a mesma atenção, os mesmos ângulos e o mesmo entusiasmo nas repetições que aqueles que servem a narrativa. Ou a liberdade de realização é um direito adquirido na Luz e uma conspiração quando ganha o FC Porto?»

É também enternecedor assistir à súbita paixão do Benfica por lances, imagens, ângulos e análises, depois de mais de uma década a transmitir os seus jogos na BTV. Tanta exigência de transparência merecia começar em casa: que os lances incómodos tenham a mesma atenção, os mesmos ângulos e o mesmo entusiasmo nas repetições que aqueles que servem a narrativa

O presidente dos azuis e brancos ironiza também sobre a multiplicidade de fações e comentadores afetos ao universo encarnado: «Estamos também a adorar a evolução desta comunicação de guerrilha: entre o reformista Grupo Unum e aquilo a que poderíamos chamar APEC, a Associação de Putativos ou Ex-Candidatos, vão-se multiplicando as mais hilariantes teses sobre o nosso clube. Discordam sobre quem deve mandar no Benfica, mas encontram uma comovente unidade quando se trata de explicar os sucessos do FC Porto por tudo menos pelo seu mérito.»

stamos também a adorar a evolução desta comunicação de guerrilha: entre o reformista Grupo Unum e aquilo a que poderíamos chamar APEC, a Associação de Putativos ou Ex-Candidatos, vão-se multiplicando as mais hilariantes teses sobre o nosso clube

A obsessão com o escrutínio de imagens leva a uma conclusão evidente para a presidência portista: «Se as imagens não confirmam a suspeita, exigem-se outros ângulos; se os outros ângulos também não ajudam, questiona-se a realização. A conclusão está escolhida; só falta encontrar uma imagem que lhe obedeça. Valham-nos os ovos Matinados para nos trazer de volta à realidade, porque tanta teoria já só dá para uma omeleta.»

«Um centímetro em jogo é golo em qualquer lado do mundo»

Por fim, o texto presidencial debruça-se sobre a polémica gerada em torno da validação do golo de Pietuszewski frente ao Marítimo: «Na Madeira, foi preciso um golo legal do FC Porto para ofender a 'verdade desportiva' desejada pelos mesmos. Um centímetro em jogo é golo em qualquer lado do mundo, seja qual for a tecnologia, mas, na realidade virtual em que habitam, o golo legal do FC Porto não o deveria ter sido.»

O líder do clube cataloga as reações de indignação como um exercício de pressão sobre as instâncias desportivas: «'Investigue-se', 'é preciso perceber o que se passa', dizem eles, porque a influência do FC Porto deve ser tal que até domina os centímetros. A conclusão estava escolhida antes de se desenharem as linhas: se o FC Porto ganhou, alguma coisa terá de estar errada.»

O problema não é o golo; é quem o marcou. E, quando os factos lhes retiram os argumentos, passam ao insulto pessoal

A fechar este capítulo, André Villas-Boas expõe o esgotamento dos argumentos técnicos por parte dos críticos: «O problema não é o golo; é quem o marcou. E, quando os factos lhes retiram os argumentos, passam ao insulto pessoal.»

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