Villas-Boas e o Benfica: «Valham-nos os ovos Matinados para nos trazer de volta à realidade»
No editorial da revista Dragões, o líder dos dragões foca a sua atenção no quadro mediático que se seguiu ao duelo com o Benfica, visando diretamente o setor de análise televisiva: «É precisamente essa exigência interna [de vitórias do FC Porto] que parece levar ao desespero os comentadores afetos ao 'Manto Marrom'. No clássico com o Benfica, o contacto de Samu nas costas de Bah foi promovido a 'agressão bárbara', com direito a uma reconstrução dramática digna de cinema.»
Villas-Boas evoca um precedente recente: «Curiosamente, na época passada, quando um toque de um dedo bastou para desequilibrar Hjulmand e sustentar uma decisão favorável ao Sporting, a sensibilidade dos mesmos vigilantes foi muito diferente. A força dos contactos mede-se pela camisola e a indignação, pelo resultado.»
O dirigente resume o comportamento dos painéis televisivos a uma estratégia de desvalorização dos triunfos portistas: «Uma absoluta anedota, construída por quem não consegue aceitar a vitória do FC Porto sem procurar uma explicação que a diminua, seja qual for a imagem ou o ângulo. Quando o futebol lhes estraga o guião, há sempre um estúdio disponível para o reescrever.»
A reflexão alarga-se à postura institucional do rival da Luz e à forma como a transparência e as imagens são exigidas seletivamente: «É também enternecedor assistir à súbita paixão do Benfica por lances, imagens, ângulos e análises, depois de mais de uma década a transmitir os seus jogos na BTV. Tanta exigência de transparência merecia começar em casa: que os lances incómodos tenham a mesma atenção, os mesmos ângulos e o mesmo entusiasmo nas repetições que aqueles que servem a narrativa. Ou a liberdade de realização é um direito adquirido na Luz e uma conspiração quando ganha o FC Porto?»
O presidente dos azuis e brancos ironiza também sobre a multiplicidade de fações e comentadores afetos ao universo encarnado: «Estamos também a adorar a evolução desta comunicação de guerrilha: entre o reformista Grupo Unum e aquilo a que poderíamos chamar APEC, a Associação de Putativos ou Ex-Candidatos, vão-se multiplicando as mais hilariantes teses sobre o nosso clube. Discordam sobre quem deve mandar no Benfica, mas encontram uma comovente unidade quando se trata de explicar os sucessos do FC Porto por tudo menos pelo seu mérito.»
A obsessão com o escrutínio de imagens leva a uma conclusão evidente para a presidência portista: «Se as imagens não confirmam a suspeita, exigem-se outros ângulos; se os outros ângulos também não ajudam, questiona-se a realização. A conclusão está escolhida; só falta encontrar uma imagem que lhe obedeça. Valham-nos os ovos Matinados para nos trazer de volta à realidade, porque tanta teoria já só dá para uma omeleta.»
«Um centímetro em jogo é golo em qualquer lado do mundo»
Por fim, o texto presidencial debruça-se sobre a polémica gerada em torno da validação do golo de Pietuszewski frente ao Marítimo: «Na Madeira, foi preciso um golo legal do FC Porto para ofender a 'verdade desportiva' desejada pelos mesmos. Um centímetro em jogo é golo em qualquer lado do mundo, seja qual for a tecnologia, mas, na realidade virtual em que habitam, o golo legal do FC Porto não o deveria ter sido.»
O líder do clube cataloga as reações de indignação como um exercício de pressão sobre as instâncias desportivas: «'Investigue-se', 'é preciso perceber o que se passa', dizem eles, porque a influência do FC Porto deve ser tal que até domina os centímetros. A conclusão estava escolhida antes de se desenharem as linhas: se o FC Porto ganhou, alguma coisa terá de estar errada.»
A fechar este capítulo, André Villas-Boas expõe o esgotamento dos argumentos técnicos por parte dos críticos: «O problema não é o golo; é quem o marcou. E, quando os factos lhes retiram os argumentos, passam ao insulto pessoal.»
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