Do Benfica para o Sporting, de médio para central: Felicíssimo tem «perfil de capitão»
A pré-época pode ter servido para Rui Borges tirar algumas dúvidas, mas também deixou uma certeza: Eduardo Felicíssimo bateu à porta da equipa principal do Sporting com força. Médio de formação, o jovem leonino foi utilizado como central em todos os jogos de preparação e respondeu com exibições que o colocam na linha da frente para ganhar um lugar definitivo no plantel principal.
Aos 19 anos, Felicíssimo prepara-se para uma temporada que pode ser decisiva no seu percurso. Depois de duas épocas a alternar entre a equipa A e a equipa B, e de ter feito a estreia pelos seniores em fevereiro de 2025, o jogador chega ao arranque de 2026/27 com outro estatuto e, sobretudo, com uma solução adicional para Rui Borges no eixo defensivo.
A adaptação não surpreende Diogo Teixeira, que conhece Felicíssimo desde muito jovem. O treinador acompanhou-o no Benfica e voltou a trabalhar com ele no Sporting, depois de o jogador ter trocado o emblema da Luz pelo de Alvalade em 2019. E há uma característica que, para Teixeira, explica muito do que Felicíssimo tem conseguido fazer em diferentes posições.
«Na formação jogou maioritariamente a médio, mas tem jogado nestes últimos anos algumas vezes a defesa na equipa B, fruto da alteração do sistema que tiveram e ele adaptou-se muito bem. Acima de tudo porque é um miúdo superinteligente», disse, em declarações a A BOLA.
«Penso que a posição de médio está mais relacionada com as características dele, mas desempenhará a função de central com a mesma qualidade», continuou.
Mais do que a polivalência, porém, há uma maturidade que o técnico identifica desde os tempos de formação. «Tinha uma maturidade pouco comum para a idade. Parecia um mini adulto, não naquilo que é a essência de uma criança, mas naquilo que é o conhecimento de jogo.»
«Era um miúdo que enchia o campo pela sua capacidade de interpretação. Taticamente e tecnicamente estava num patamar muito positivo pela sua capacidade interpretativa, com e sem bola, e depois na parte decisiva era muito influente.»
A evolução de Felicíssimo tem sido contínua, mas a grande questão passa agora por saber se 2026/27 será finalmente a época em que consegue afirmar-se de forma regular na equipa principal. Diogo Teixeira prefere não fazer previsões, lembrando que há fatores que escapam ao controlo dos jogadores.
«É sério, profissional, supereducado, competente, está para trabalhar, não amua quando não joga, não complica nas suas fases menos positivas, pelo contrário. No momento em que surgir a oportunidade, tem que estar preparado para e dar o seu melhor. Depois se acontece ou não, vai depender de quem decide, do momento e de outros fatores», considerou.
Um líder que não precisa de levantar a voz
Há ainda outra dimensão em que Felicíssimo parece reunir características especiais: a liderança. Não necessariamente através da voz ou da braçadeira, mas pelo exemplo diário: «O Eduardo tem perfil de liderança no silêncio. É um miúdo que trabalha e é um exemplo dentro do campo, em treino. Não falha. Aquilo que lhe pedem para fazer, cumpre.»
«Tem perfil de capitão, mas há outros tantos também com esse perfil. Só a longevidade dentro do grupo é que poderá ditar essa situação, mas tem o perfil certo para liderar um grupo», concluiu.
E é precisamente aí que pode estar uma das grandes histórias leoninas deste início de temporada. Felicíssimo começou a pré-época como médio e terminou-a como uma das soluções mais interessantes para a defesa. Com Debast e Ba lesionados e Diomande de saída, Rui Borges poderá precisar dele desde o primeiro jogo. A oportunidade, essa, está aí. Agora falta ao jovem leonino fazer aquilo que, segundo quem melhor o conhece, sempre fez: estar preparado.