Treinador português muito interventivo com os jogadores e descontraído como talvez nunca se tenha visto em Manchester - VÍDEO AC MILAN

Ruben Amorim lembra o 'seu' Sporting e admite: «Rafael Leão tem sorte...»

Treinador do Milan falou em conferência de imprensa antes do dérbi com o Inter, em jogo de pré-época

Na véspera do dérbi contra o Inter, Ruben Amorim, treinador do Milan, prestou uma sentida homenagem a Franco Baresi, antigo capitão do clube, cujo falecimento abalou profundamente o ambiente rossonero.

Antes de abordar o jogo, o técnico português dedicou as suas primeiras palavras à lenda do clube: «Antes de mais, as nossas condolências à família de Baresi, aos seus amigos e a todos os colegas de equipa que teve ao longo da sua carreira. Penso que sou a última pessoa que deveria falar de Baresi, porque estou aqui há dois minutos, mas posso explicar um pouco o sentimento que existe no nosso staff. Primeiro, ninguém chama Baresi de Baresi: ele é o Franco, e isso significa algo.»

Ruben Amorim partilhou o impacto que a figura de Baresi tem no clube, sublinhando que o seu legado transcende os troféus. «Quando se fala dele com o pessoal da comunicação, eles ficam com lágrimas nos olhos. Quando vamos jantar, o Michele, o nosso chef, continua a mostrar-me fotografias dele com o senhor Baresi e a contar-me muitas histórias. Falei com muitas pessoas sobre o Franco e ninguém fala das Ligas dos Campeões ou dos campeonatos que ele ganhou. Todos dizem uma coisa: 'Quando descemos à Serie B, não nos abandonou". E isso é especial», afirmou.

O treinador prometeu honrar a memória do antigo capitão, colocando a equipa acima de tudo. «Agora que já não está connosco, está a ensinar-nos que os sucessos são uma coisa muito bonita, mas que são importantes para o nosso ego. O fundamental, no final, é o caráter e quem se é, não o que se conquistou. O Franco era tudo pela equipa. Tudo pela equipa. É este o seu legado», declarou, acrescentando: «Não sei o que acontecerá no futuro em termos de resultados. Não posso controlar nem prometer nada. Mas uma coisa posso prometer: a equipa é a coisa mais importante do nosso clube e vamos levar adiante o legado do Franco. A equipa, até ao meu último dia aqui, será a coisa mais importante do nosso clube.»

Amorim justificou ainda a ausência da equipa no funeral, explicando que o próprio Baresi teria preferido que continuassem a trabalhar. «O nosso líder, o senhor Cardinale, está lá, e as pessoas do Milan também. E se hoje pudessem perguntar ao Franco se deveríamos ter interrompido a nossa preparação para ir ao seu funeral, penso que posso garantir que ele teria preferido que continuássemos a fazer o nosso trabalho, a defender o clube», esclareceu.

Rafael Leão e o mercado

Já sobre o dérbi com o Inter, o técnico confirmou que todos os jogadores, incluindo Rafael Leão e Modric, terão minutos. «Tenho a sensação de que todos os jogadores estão a trabalhar muito bem. O Rafa [Leão] tem sorte de estar num clube como o Milan, por isso deve estar feliz. Sinto que está feliz e motivado», disse, mostrando-se satisfeito com o grupo. «O Luka [Modric] é muito humilde e não gosta de toda a atenção que recebe. Tem uma experiência enorme e vou tratá-lo como um jogador normal. Terá de lutar pelo seu lugar, mas é claro que é um jogador especial», disse.

Quanto ao mercado de transferências, Amorim mostrou-se tranquilo com o plantel atual. «Estou muito contente com a equipa que tenho. Estamos a construir a nossa ideia de jogo. Se tivermos de começar a época com esta equipa, penso que seremos competitivos em todos os jogos e que podemos vencer todos os jogos», garantiu.

Por fim, o treinador português não escondeu a sua paixão pelo clube: «O Milan é o Milan. E por isso direi sempre Milan. Porque o Milan não se resume apenas a troféus. O Milan representa algo que não se pode comprar. Para mim, desde criança, sempre foi o Milan. Por isso, abram o YouTube, vejam os vídeos e perceberão porque escolheria sempre o Milan».

O foco está totalmente no apito inicial do árbitro em Turim, a 23 de agosto, para o jogo contra o Torino, da primeira jornada da Serie A, mas o encontro com o Inter também serve de preparação.

«Queremos vencer o Inter, mas também queremos preparar-nos para esse jogo contra o Torino», afirmou o técnico, sublinhando a importância da preparação para implementar um determinado estilo de jogo.

«A nossa preparação é fundamental porque nos ajuda a jogar de uma certa maneira: vencer é o que queremos, mas fazê-lo a jogar muito mal não transmitiria confiança. O meu objetivo é colocar estes rapazes nas melhores condições para mostrarem o seu talento», apontou, recordando o Sporting.

«Há muitos treinadores bons e sou um admirador de todos eles, em particular de Gasperini, que vencia sempre contra o meu Sporting... A Serie A não é só catenaccio. É preciso estar muito enganado para pensar que os treinadores do nosso campeonato fazem apenas catenaccio», defendeu.

Consciente do período de adaptação necessário, o técnico mostrou-se confiante na sua filosofia. «Vou precisar de algum tempo para me adaptar a cada jogo, mas penso que já percebi muito bem o que os vossos técnicos fazem. Eu quero jogar futebol à minha maneira. E quero também demonstrar, na Serie A, que se pode jogar de uma forma diferente».

A iniciar sessão com Google...