Diogo e os cantos, a receita do Dragão do costume (crónica)
O Dragão tem alma. Corre longas distâncias, luta por cada bola. Há sprinters à frente de um habitual trio de bloqueio, além de toda a técnica, que surge normalmente na decisão, seja esta em Gabri Veiga ou nos avançados.
Os primeiros minutos, em Rio Maior, foram iguais a muito outros: o FC Porto a entrar com tudo, para arrumar cedo a questão e poder gerir o que sobrasse da partida, aproveitando os erros que naturalmente iam surgir nos adversários. Só que essa primeira maré não trouxe golos — Gabri Veiga foi aquele que mais se aproximou numa bomba à trave, logo aos 7'— ou sequer muitas oportunidades. Ainda que nas bolas paradas, a pressão sobre Mandic fosse visível. O 4x2x3x1 que se desdobrava em 5x4x1 com o recuo de Selvi para a linha defensiva e o de Rego para o meio-campo, acompanhado naturalmente pelos extremos, mais a proximidade entre as linhas defensivas e média eram suficientes para bloquear (até psicologicamente) o Dragão.
O Casa Pia demorou 19 minutos a conseguir sair com bola do seu meio-campo, e conseguiu aí o seu primeiro remate, por João Rego. Aliás, o médio ofensivo emprestado pelo Benfica foi dos melhores entre os casapianos, tal como Henrique Araújo, que também deixou este ano a Luz. O avançado, aos 25', serviu Salah para o remate de longe que valeu a primeira grande intervenção de Diogo Costa. Que viu, aos 31', Araújo aproveitar um erro que se pode dividir entre William e Alberto para atirar por cima. Os lisboetas começaram a acreditar e chegaram ao golo. Também numa bola parada, Rosario acertou no pé de Selvi ao tentar aliviar. De penálti, Araújo enganou o especialista Diogo Costa aos 40'.
KIWIOR DECISIVO ATRÁS E À FRENTE
Aguentar até ao intervalo poderia ter sido importante para os visitados, mas os dragões responderam ao terceiro minuto de compensação. Canto da direita, desvio de In-beom, com Alberto a ganhar no segundo andar. A bola caiu nos pés de Rosario, que fez a assistência para André Silva.
No regresso, o canto do... ganso esbarrou nas mãos de Diogo Costa. O guardião desviou uma tentativa de chapéu de Selvi — mais uma boa exibição —por cima da trave. Jogava-se o minuto 58 e o FC Porto marcaria outra vez aos 60'. Canto de Gabri Veiga e o primeiro tiro certeiro, de cabeça, de Kiwior com a camisola portista.
O 1-2 não interessava ao Casa Pia, que se ia expor finalmente às transições. E logo Kiwior viu Borja isolar-se e meteu-lhe a bola (com ajuda de Khaly) para que este assinasse o 1-3. Aos 66'. Estava feito!
DIOGO COSTA, PARTE III
Não é que os casapianos tenham desistido, nada disso. Aos 72', Maurin obrigou Diogo Costa a uma terceira excelente defesa, mantendo a distância de dois golos no marcador e evitando o renovar das experanças dos gansos para o que ainda faltava. Uma almofada que seria aproveitada por Santiago Gimenez já na compensação e de penálti — cometido sobre si pelo guarda-redes Mandic — para chegar a uma goleada que o volume de jogo não explica.
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