Destino final EUA: Argentina confirma entrada de Flávio Bolsonaro e voo para o Equador
O candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, entrou na Argentina através da fronteira terrestre com o Brasil às 22h50 de terça-feira, tendo embarcado cerca de quarenta minutos depois num voo privado com destino a Guayaquil, no Equador. A confirmação foi avançada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, sendo esperado que o destino final sejam os Estados Unidos.
De acordo com a autoridade migratória argentina, o senador atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que faz a ligação entre Foz do Iguaçu (Paraná) e Puerto Iguazú (província de Misiones), na companhia da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas, Carolina e Luiza. O organismo indicou que os quatro elementos apresentaram documentação válida de viagem, sem qualquer impedimento legal de entrada no país.
Posteriormente, às 23h30, o grupo embarcou num voo privado, cujo plano de voo indicava Guayaquil como destino, tendo aterrado na cidade equatoriana pouco antes das 06h00, segundo a plataforma Flight Radar. Embora o comunicado oficial refira apenas os quatro membros da família, a imprensa local avançou relatos divergentes, apontando ora para a presença de oito passageiros a bordo, ora para Flávio como passageiro único.
EUA apontados como destino final
Apesar de o plano de voo assinalar o Equador, fontes contactadas pela CNN sustentam que o objetivo final de Flávio Bolsonaro são os Estados Unidos. De acordo com o canal, o presidente norte-americano Donald Trump autorizou a entrada no país e estão a ser emitidos vistos para o senador e familiares, com um elemento a mencionar a Florida como possível destino.
«Ouvi dizer que ele está na Argentina. Não sei onde ele está... ouvi dizer que é na Argentina», afirmou Trump após ser abordado por um jornalista. O líder norte-americano garantiu que acolheria favoravelmente a deslocação do senador para o país: «Bem, acho que são boas pessoas.» Durante a mesma intervenção, Donald Trump teceu fortes críticas ao processo eleitoral no Brasil. «A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Recebeu avaliações más, veja só o que aconteceu com o mercado deles», declarou o chefe de Estado norte-americano.
Interdição de saída e passaportes cancelados no Brasil
A saída do país ocorre na sequência de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu Flávio Bolsonaro de abandonar o Brasil logo após a derrota frente ao presidente Lula (PT) na segunda volta das presidenciais. A medida judicial surgiu no âmbito de um inquérito por suspeitas de branqueamento de capitais que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz.
Moraes ordenou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o passaporte diplomático, deu um prazo de 24 horas para a entrega de eventuais passaportes estrangeiros e interditou contactos entre os investigados. Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo a relatar que tinha sido abordado pela Polícia Federal à saída da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ocasião em que foi notificado da proibição de deixar o país. Na altura, o senador considerou a ação uma tentativa de intimidação, mas garantiu que entregaria os documentos, o que não aconteceu.
Perante o incumprimento do prazo, a Polícia Federal procedeu ao cancelamento dos passaportes e iniciou buscas pelo seu paradeiro.