Como treinar a prazo: ganhar

Só há um resultado possível para Rui Borges se manter como treinador do Sporting e o primeiro suspiro de alívio pode ser dado. Seguem-se Casa Pia, Shakhtar Donetsk e Moreirense...

A vitória do Sporting sobre o Marítimo não provocou grande euforia nos poucos adeptos que se deslocaram ontem a Alvalade, mas pelo menos terá deixado Rui Borges dormir mais descansado.

As recentes derrotas para a Liga dos Campeões e para o campeonato e, sobretudo, o consequente avolumar da distância para o primeiro classificado da Liga, o FC Porto, deixaram o treinador dos leões com um prazo de validade apertado no banco. Só os resultados prolongarão uma relação que parece, nesta altura, quebrada.

Nada que não se tivesse suspeitado assim que o Sporting perdeu a Taça de Portugal para o Torreense. Num clube que recuperou nos últimos anos a exigência de ganhar, nem um treinador campeão em poucos meses é imune primeiro às dúvidas, depois às críticas (conforme vimos ontem, nem o vencedor desse troféu no Jamor com uma equipa da segunda divisão escapa a um despedimento...). A nova época, com uma reformulação profunda do plantel, aumentou o nível de exigência sobre o técnico e qualquer onda positiva, como aconteceu após vitórias em Braga e Lens, é facilmente engolida por assobios e lenços brancos assim que a equipa volta a falhar.

Frederico Varandas, já o disse, não toma decisões com base na contestação. A 21 de setembro, na entrada para a última pausa de seleções e após o empate comprometedor com o Arouca e os primeiros lenços brancos, o presidente garantiu mesmo: «Nunca esteve em causa sequer o lugar de Rui Borges.» Hoje já não será bem assim...

Até à próxima pausa, a ordem é para ganhar, ganhar, ganhar. Se é verdade que num clube grande há sempre pouca margem para outros resultados, Rui Borges sabe que é nele que se concentra agora toda a exigência. Treinar a prazo não será o emprego mais confortável do mundo, mas o primeiro suspiro de alívio pode ser dado. Seguem-se Casa Pia, Shakhtar Donetsk e Moreirense, foi o que o calendário-ultimato ditou. Se é justo caírem sobre o treinador todas as críticas? Não, mas também não seria o primeiro a ser defendido publicamente e pouco depois deixar de ser solução.

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