Mundial
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De esperada sensação à maior desilusão: o pesadelo da Turquia
Arda Guler, Kenan Yildiz e Hakan Çalhanoglu eram os cabeças de cartaz, Kerem Akturkoglu, Orkun Kokçu e Can Unzun os jogadores que, quiçá menos conhecidos, também prometiam ser essenciais para a Turquia, havendo ainda valores seguros em Ferdi Kadioglu, Baris Yilmaz, Merih Demiral e não só, tal como Deniz Gul, avançado do FC Porto.
Era assim que a seleção de Vincenzo Montella chegava ao Grupo D do Mundial, com um lugar no ranking FIFA (22.º) superior ao de todos os adversários Austrália (27.º) e Paraguai (41.º), com quem ia abrir as hostes na prova, antes, presumivelmente, de um possível encontro com os Estados Unidos para decidir o vencedor do grupo. Mas o campo teórico raramente faz parte do campo de futebol.
Ineficácia total
Assim, a Turquia está fora do Mundial 2026, após sofrer derrotas frente à Austrália (0-2) e ao Paraguai (0-1), num regresso desastroso a uma fase final da competição, algo pelo qual o povo turco esperou 24 anos. A equipa fez um total de 62 remates (!) nos dois jogos e não conseguir marcar um único golo.
A eliminação foi selada com uma derrota particularmente dolorosa contra o Paraguai, que jogou com uma unidade a menos durante toda a 2.ª parte, e mesmo assim conseguiu segurar a vitória. O golo decisivo foi marcado por Matías Galarza logo aos 65 segundos de jogo, fazendo deste o golo mais rápido do torneio até ao momento.
Apesar de ter cercado a baliza adversária, a Turquia não conseguiu quebrar a resistência paraguaia, somando 32 remates nesse jogo, que se juntaram aos 30 igualmente ineficazes que efetuados na partida inaugural contra a Austrália.
«Devíamos ter ganho estes jogos»
O selecionador italiano da Turquia, Vincenzo Montella, expressou o seu choque com a eliminação precoce. «De alguma forma, a bola não entrou», lamentou:
Trabalho no futebol profissional há 35 anos, entre a carreira de jogador e treinador. Talvez percas um jogo como este a cada 50 jogos. Isso acontece. Mas perder dois jogos assim, da mesma maneira, com essas estatísticas e este desempenho, nunca aconteceu comigo. Nunca tinha visto algo parecido.
A desilusão também era evidente nas palavras do jovem talento Arda Guler, que, juntamente com Kenan Yildiz, era visto como uma das esperanças para uma boa campanha da equipa. «Deveríamos ter ganho estes jogos... todos estão tristes. Esforçámo-nos muito, mas não resultou. Mas devíamos ter marcado alguns golos», disse o jogador do Real Madrid, após não conseguir conter algumas lágrimas.
O historial da Turquia em Mundiais é bastante pobre. A primeira participação remonta a 1954, na Suíça, onde caiu na fase de grupos (também teve o azar de enfrentar Alemanha e Hungria, as duas finalistas dessa edição). Em 2002 a equipa quase chocou o mundo ao terminar no 3.º lugar; e agora, sairá da prova pela porta dos fundos, podendo ainda guardar alguma honra frente aos Estados Unidos, que já ganharam o grupo.